A Celesc (SC) espera até a próxima quarta-feira, 7 de dezembro, trazer o sistema para a normalidade após os fortes ventos até 115km/h que assolaram a região da capital Florianópolis no último domingo, 4 de dezembro. Às 18h45 desta terça-feira, 6 de dezembro, pouco mais de oito mil unidades consumidoras estão sem energia na capital, quando no auge do evento eram 260 mil, um terço do município. De acordo com o presidente da distribuidora, Cleverson Siewert, a empresa está primando pela segurança no restabelecimento da rede depois do ciclone. "Há muitas árvores na rede, muito cabo partido e muito poste no chão. Tem regiões que só conseguimos chegar no fim da tarde, após liberação dos bombeiros", afirma.

Não havia registro nos últimos dez anos de algo nessa magnitude na região, conta Siewert. Já foram 70 postes trocados e 10% de todo o sistema da cidade sofreu alguma intervenção da concessionária nos últimos dois dias. O número de atendimentos saltou dos habituais 50 para 500, multiplicando dez vezes. Siewert ressaltou o poder de recuperação da Celesc, que em 48 horas conseguiu colocar o sistema de volta. Para ele, a performance é melhor que a de outras distribuidoras que passaram por evento similares. "A sociedade tem compreendido a dificuldade e o evento e tem sido parceira", observa.

Sem contabilizar o prejuízo, o momento agora é o de recomposição. Segundo o presidente da concessionária, a previsão meteorológica da Celesc apontava ventos fortes, mas sem a intensidade que apareceram e para o oeste, não na capital. "Foi uma surpresa quando aconteceu aqui, todas as previsões davam que seria em outra região do estado e nos preparávamos para isso", aponta. O estado de Santa Catarina tem um radar meteorológico comprado nos Estados Unidos para prever esse tipo de evento climático, mas a natureza das redes no Brasil impede a chance de se evitar as avarias nesse caso. "Nosso sistema é aéreo, nu. Por mais que se preveja é difícil para a rede", avisa.

Os desastres climáticos trazem de volta a discussão sobre o reconhecimento dos investimentos nas redes subterrâneas. Cobrada pelos consumidores, as distribuidoras alegam que esse investimento não é revertido para a tarifa, com natureza estética. "A Aneel não reconhece como investimento prudente", queixa-se. A Celesc tenta mostrar para o órgão regulador que o estado e o Sul do Brasil têm grandes concentrações de vento, o que motivaria um olhar diferente. "Precisamos proteger não só o sistema elétrico, mas as pessoas também", revela o executivo.