Um estudo lançado pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), aponta que à medida que cresce a urgência em adotar uma ação climática arrojada, aumentar geração renovável combinada à eletrificação poderia proporcionar mais de três quartos das reduções de emissões relacionadas à energia necessárias para atender às condições climáticas globais. A conclusão consta da última edição do Global Energy Transformation da IRENA: Um roteiro para 2050, lançado nesta terça-feira, 9 de abril, durante o evento Berlin Energy Transition Dialogue.
De acordo com o documento da entidade existem caminhos para atender 86% da demanda global de energia com energia renovável. A eletricidade cobriria metade do mix global de energia final. O fornecimento de energia global mais que dobraria nesse período, com a maior parte gerada a partir das renováveis, principalmente energia solar fotovoltaica e eólica.
De acordo com o novo diretor-geral da Irena, Francesco La Camera, a fonte renovável é a solução mais eficaz e prontamente disponível para reverter a tendência de aumento das emissões de CO2. E ainda, que a combinação dessa modalidade de geração com uma eletrificação mais profunda pode atingir 75% da redução de emissões relacionada à energia demandada. Na avaliação do executivo, a mudança para as energias renováveis ​​faz sentido econômico. Em meados do século, a economia global seria maior e os empregos criados no setor de energia aumentariam o emprego em 0,2%. E ainda, que a adoção de políticas para promover uma transição justa e inclusiva podem maximizar os benefícios para diferentes países, regiões e comunidades. Isso também aceleraria a obtenção de acesso à energia acessível e universal.
Uma transição energética acelerada, de acordo com o Roteiro 2050, levaria à economia global em até US$ 160 trilhões nos próximos 30 anos, evitando custos de saúde, subsídios de energia e danos climáticos. Cada dólar gasto em transição de energia pagaria até sete vezes. A economia global cresceria 2,5% em 2050. No entanto, os danos climáticos podem levar a perdas socioeconômicas significativas.
Apesar dos benefícios apontados o relatório alerta que a ação de inserção das renováveis e da eletrificação está atrasada. Enquanto as emissões de CO2 relacionadas à energia continuaram a crescer mais de 1% ao ano, em média, nos últimos cinco anos, as emissões precisariam diminuir 70% abaixo do nível atual até 2050 para atingir as metas climáticas globais. Isso exige um aumento significativo da ambição nacional e metas mais agressivas de energia renovável e clima.
A entidade recomenda que a política nacional se concentre em estratégias de longo prazo de zero carbono. Também destaca a necessidade de impulsionar e aproveitar a inovação sistêmica. Isso inclui a promoção de sistemas de energia mais inteligentes por meio da digitalização, bem como o acoplamento de setores de uso final, particularmente aquecimento e resfriamento e transporte, via maior eletrificação, promovendo a descentralização e projetando redes elétricas flexíveis.