Leilão A-5: Argentum Energia vai construir UHE Santa Branca

Empresa também vendeu energia de duas PCHs. Certel vai investir em uma usina no Rio Grande do Sul

Sob a desconfiança da baixa contratação, o leilão A-5 realizado nesta sexta-feira, 29 de abril, negociou 201,8 MW médios, fez com que os empreendedores de Pequenas Centrais Hidrelétricas virassem os grandes vitoriosos do certame. O ambiente econômico conturbado não foi adversário para impedir que 21 usinas desse tipo que somam 262,2 MW de potência fossem viabilizadas com um preço médio de R$ 186,41/ MWh. No geral, o preço médio do certame foi de R$ 198,59/MWh, com investimentos totais de R$ 1,88 bilhão. Não houve contratação de fonte eólica.

A única hidrelétrica que estava disponível no certame, a de Santa Branca (PR – 62MW) foi viabilizada pela Argentum Energia. O preço final teve 23,1% de deságio, ficando em R$ 150/ MWh. A usina, que fica no rio Tibagi, vai ter investimentos em torno de R$ 400 milhões e deve gerar em torno de 800 empregos diretos e 2.400 indiretos, no auge do canteiro de obra. A Argentum também comercializou a PCH Clairto Zonta (PR – 14,9 MW), ao preço de R$ 184/ MWh e custos de R$ 84,7 milhões e São João II (PR – 6,9 MW), com preço de R$ 184/ MWh e investimentos de R$ 46,1 milhões, segundo informações divulgadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica.

De acordo com Egon Bockmann, advogado da Argentum Energia, o projeto de Santa Branca é diferenciado, uma vez que ele envolve 95% dos proprietários da região da usina e não haverá desapropriação para a construção da hidrelétrica. "Por causa disso, foi possível apresentar um preço enxuto", afirma. A Argentum é formada por empresários de vários setores que querem explorar o potencial hidroenergético do estado que ficou represado durante muito tempo.

Quem também viabilizou uma PCH no leilão A-5 foi a Certel, do Rio Grande do Sul, com a PCH Cazuza Ferreira (RS – 9,1 MW), com preço de R$ 189,15/MWh. A usina já está operando desde fevereiro deste ano. Com investimentos de R$ 34 milhões, o objetivo de Erineo José Hennemann, presidente da Certel, é deixar a energia da usina para o mercado livre ou para algum leilão de ajuste enquanto o contrato não começa. "Estamos comemorando o preço da energia que a gente conseguiu. A nossa planta tem uma performance muito boa", avisa Hennemann. A empresa, que também tem uma distribuidora, já tem outras três PCHs.

Os outros oito projetos que foram comercializados no leilão foram de térmicas. A Eldorado Brasil Celulose negociou a UTE Onça Pintada (MS- 50 MW), de cavaco de madeira, ao preço de R$ 243,21/ MWh e investimentos de R$ 292,4 milhões. A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, apenas confirmou a paternidade do projeto à reportagem da Agência CanalEnergia, mas não deu mais informações. Houve ainda a térmica a gás natural Oeste de Canoas I (MA), de 5,5 MW e preço de R$ 258/ MWh.