Solar fotovoltaica ainda ficará restrita a energia de reserva

EPE admite que poderá rever esse posicionamento, mas que, por enquanto, a fonte deverá ser mantida nas disputas do LER

O governo comemorou o valor alcançado pela fonte solar fotovoltaica no leilão de energia de reserva realizado nesta sexta-feira, 9 de novembro. Após cinco horas, a fonte apresentou um deságio de 21,97% ante o preço teto de R$ 381/MWh fechando à média de R$ 297,75/MWh. Em dólar o valor é de US$ 78,36/MWh. Apesar dessa redução e da precificação da fonte nesse certame a avaliação é de que ainda é cedo para a sua entrada em leilões de energia nova organizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica para contratação por distribuidoras.

Segundo o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, o ideal para a fonte ainda seria o de permanecer nos leilões de energia de reserva. Até porque a tendência é de que o país continue a contratar nessa modalidade em função da necessidade de ter esses contratos por conta do acordo que está sendo costurado com os agentes acerca do risco hidrológico para o mercado livre.
“A solar fica pronta muito rápido, um A-5 não seria muito adequado, seria mais para o A-3 ou de reserva, mas nesse início ainda é mais indicado manter nesse segundo, o que não impede de realizarmos estudos para avaliar uma mudança, mas por enquanto no de reserva está dando certo”, afirmou Tolmasquim à Agência CanalEnergia.
Tolmasquim destacou quatro pontos que considerou importantes sobre o certame e que proporcionou acrescentar mais 1,15 GWp à matriz elétrica nacional. O primeiro, disse ele, foi a competição entre os empreendedores que levaram ao deságio de praticamente 22%. E a segunda tem relação direta com essa competição que é o preço em dólar da energia que mantém o Brasil como um dos países com menores preços, o que indica a presença de grandes recursos solares. O terceiro é a diversificação geográfica dos empreendimentos.
Ele ressaltou também que com este leilão o país já soma a contratação de mais de 3 GWp de capacidade instalada, o que dá a indicação pedida pelos investidores de que podem instalar as fábricas no país porque há demanda. “Esperamos com isso dar o mesmo sinal que foi dado para a eólica no sentido de atrair fabricantes para o país”, acrescentou.
Igor Walter, diretor de programa da assessoria econômica do MME, destacou que com o leilão desta sexta o país alcançou a marca de 600 parques eólicos contratados por meio de certames da Aneel, que somam 15 GW de capacidade instalada. O destaque desta vez foi o estado da Bahia com 18 dos 20 projetos vencedores.
Segundo o representante do ministério no leilão, apesar da eólica ter uma contratação de 1,2 GW este ano, o segmento está com uma importante demanda no histórico de leilões no país, o que mantém o volume de encomendas para as indústrias nos próximos anos por aqui. Segundo Walter, a expectativa de contratação de energia de reserva pelo governo, que ficou nesse LER em 507,9 MW médios, foi atendida.