Aceitação pública da nuclear é o maior entrave, diz Leonam Guimarães

Brasil precisará da fonte para compor o mix de geração térmica para atender a expansão da demanda que ainda tem potencial de crescimento per capita

O problema para a expansão da geração nuclear no Brasil não é técnica e sim de opinião pública. O governo deveria se empenhar no sentido de mudar o sentimento acerca das centrais termonucleares para que essa fonte pudesse ser mais utilizada por aqui e assim, compor o mix de geração do sistema elétrico nacional que deverá passar por uma transição mais acelerada nos próximos anos, assim como ocorreu com o Canadá a partir da década de 1960. Essa necessidade de transição se faz presente em decorrência da perspectiva de que o país está próximo do esgotamento de seus aproveitamentos hidráulicos.

De acordo com o diretor de planejamento, gestão e meio ambiente da Eletronuclear, Leonam Guimarães, um estudo da Empresa de Pesquisa Energética indica maiores dificuldades de colocar os aproveitamentos remanescentes a partir de 2020 pela sua complexidade ambiental. Tanto que a estimativa era de que o país tivesse 260 GW em capacidade instalada. Esse volume caiu nos últimos anos para algo entre 150 e 180 GW.
“Isso significa que do total que temos de até 180 GW já usamos 100 GW e a expansão do consumo continuará a acontecer, pois estamos longe ainda de um indicador razoável de consumo de energia per capita”, avaliou ele durante o Inac 2015, realizado em São Paulo.
Segundo o executivo, com esse cenário a expansão deverá caminhar para um mix de diversas fontes térmicas como o gás natural, mas esse tem o problema da disponibilidade do combustível, já o carvão mineral acaba sendo de uso mais restrito uma vez que há poucas reservas no país e ainda depende do avanço da tecnologia na questão de emissões de gases de efeito estufa. Por isso, ele coloca que a nuclear, por ter um valor de geração acessível e baixo nível de emissões é uma fonte que carece apenas da opinião púbica para ser aceita.
Aliás, Leonam cita estudos internacionais que apontam que a população ao redor de usinas nucleares apresenta uma maior aceitação dessas centrais do que quem está mais afastado. Entre os pontos que ele destacou está a evolução dos indicadores sociais na região da usina com a criação de empregos e a movimentação da economia local como fatores positivos. “A aceitação das usinas nucleares na região onde estão instaladas chega a 80%, quando a média de um país é de 50% de opiniões favoráveis. Aqui no Brasil o indicador de aceitação não passa de 35%”, indicou.
Por aqui a expansão da oferta de energia não deverá seguir apenas no sentido das térmicas, admitiu. Até porque há complementaridades entre as renováveis como no Nordeste com a forte correlação contrária entre as chuvas e os ventos. Ele lembra ainda que a perspectiva de armazenamento de energia na forma de água está cada vez menor, sendo que no próprio planejamento de vislumbra o crescimento em capacidade de geração a taxa mais elevadas do que o volume de armazenamento, fator que aumenta a vulnerabilidade do setor elétrico às flutuações climáticas.