Leilão A-5 viabiliza térmica a gás no Sergipe e concretiza UHE Itaocara I

UTE Porto de Sergipe I, da Genpower e EBrasil, vai levar mais um porto de GNL para o Nordeste. Bolt e ERB vendem projetos de biomassa e oito PCHs vão demandar investimentos de mais de R$ 1 bi

O leilão A-5 realizado nesta quinta-feira, 30 de abril, conseguiu mais uma vez ver a comercialização de um projeto de térmica movida a gás natural. Consórcio formado pela Genpower (49%) e EBrasil S.A (51%) viabilizou a UTE Porto de Sergipe I, com 1.515,6 MW de potência. A usina vai demandar investimentos de R$ 3,29 bilhões e foi negociada por um preço de R$ 279/MWh e vai ter uma receita fixa de R$ 1,25 bilhão por ano. A usina vai garantir um porto de GNL no Sergipe. De acordo com o diretor-jurídico da Genpower, Julio Matuch, a associação com a EBrasil vai agregar ainda mais valor ao projeto, uma vez que a sócia é uma tradicional operadora de térmicas nas regiões Nordeste e Norte.

"Foi uma vitória importante. É fruto de um trabalho exaustivo de anos", afirma o executivo à Agência CanalEnergia. Ainda de acordo com ele, o preço foi mais um fator que contribuiu para o êxito na venda. Já com fornecedores e epecistas contratados, mas ainda sem poder divulgá-los, a UTE Porto de Sergipe é o primeiro projeto feito em parceria pelo consórcio, que segundo Matuch ainda tem outros projetos em análise. Mas ele conta que os olhos agora estão voltados para o projeto vencedor. A usina não deve ter a operação antecipada, entrando em funcionamento no prazo contratual. 

O certame também viu finalmente a viabilização da UHE Itaocara I (RJ – 150 MW). Consórcio formado por Light, com 51% e Cemig, com 49%, venceu com preço de R$ 154,99MWh, um centavo abaixo do preço-teto definido. Serão necessários cerca de R$1 bilhão em investimentos para a construção da usina. Desse total, 2,1% serão gastos em 2015, 44,2% em 2016, 40,2% em 2017, 13% em 2018 e 0,5% em 2019. A previsão de entrada em operação é no segundo trimestre de 2018. A hidrelétrica era um projeto antigo da Light, no modelo de pagamento pelo uso de bem público. O projeto enfrentou dificuldades no seu licenciamento e foi devolvido em 2013. Embora inscrita no leilão A-5 de 2014, ela acabou não negociada. Na ocasião, seu preço-teto era de R$ 114 MW/h. 
 
Segundo o diretor de geração e transmissão da Cemig, Franklin Gonçalves, a usina vai aumentar a qualidade da energia e movimentar a economia na região. Ela abrange as cidades de Itaocara, Aperibé, Santo Antônio de Pádua e Cantagalo, no Rio de Janeiro e Pirapetinga, em Minas Gerais. A usina será implantada com 30% de recursos próprios, 40% por meio do BNDES e outros 30% através de debêntures. Outra hidrelétrica foi negociada, a UHE Tibagi Montante, localizada no rio Tibagi, no Paraná, ela foi negociada por R$ 209,5/MWh e vai ter investimentos de R$ 217,2 milhões.

As térmicas a biomassa no leilão A-5 repetiram os últimos certames e comercializaram três projetos, dois de bagaço de cana e um de cavaco de madeira. A UTE Codora vendeu 20 MW da usina por R$ 278,50/ MWh. Recentemente, foi divulgada pela Jalles Machado – então controladora da usina – a venda de 65% da controladora da usina para a francesa Albioma. A nova sócia concretizou uma das suas promessas após a aquisição, que era adicionar uma turbina de 20 MW. O outro projeto movido a bagaço de cana é da Energias Renováveis do Brasil, com a UTE Santa Vitória, em Minas Gerais. Com preço de R$ 272/MWh, a usina vai ter investimentos de R$ 245,2 milhões. O único projeto movido a biomassa de cavaco de madeira, no caso o eucalipto, é da Bolt Energias, com 50 MW na Bahia e custo de R$ 227,5 milhões. O projeto foi vendido por R$ 272,01/ MWh e tem a parceria da Diferencial Energia.

As PCHs também mantiveram o ritmo de contratação e venderam oito PCHs nesse leilão A-5. Juntos eles somam 164,2 MW e mais de R$ 1,2 bilhão em investimentos. A CPFL Renováveis viabilizou a PCH Boa Vista II, de 26,5 MW, em Varginha (MG). Ela conseguiu preço de R$ 207,64/ MWh. O estado do Mato Grosso do Sul vai ter três usinas dessa fonte, o Paraná duas; e, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, uma cada um. O destaque é para a PCH Secretário, no Rio de Janeiro, de apenas 2,6 MW, preço de R$ 202,99/MWh e investimentos de R$ 14,1 milhões. A PCH Bandeirante, no Mato Grosso do Sul, da Atiaia Energia, com 27,1 MW, vai demandar investimentos de R$ 158,6 milhões e a PCH Verde 4A, no Mato Grosso do Sul, de 28 MW, vai custar R$ 267,9 milhões.