Fitch atribui rating à proposta de 5ª emissão da Coelce

Valor é de R$ 500 milhões a serem pagos em três séries, com vencimento da última em 2027; recursos serão destinados a reforçar o capital de giro e investimentos da companhia

A agência de classificação de risco Fitch Ratings atribuiu o Rating Nacional de Longo Prazo Prazo ‘AAA(bra)’, com Perspectiva Estável, à proposta de 5ª emissão de debêntures da Coelce. O montante é de R$ 500 milhões e o pagamento será efetuado em três séries, com vencimentos finais em 2022 para a primeira; em 2024, para a segunda; e em 2027 para a terceira. Os recursos serão destinados ao reforço de capital de giro e investimentos da companhia.

O rating da Coelce e de sua proposta reflete a qualidade de crédito da Enel Américas S.A. (Enel Américas, IDR (Issuer Default Rating – Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo em Moedas Estrangeira e Local ‘BBB+’ (BBB mais)/Perspectiva Estável), sua controladora indireta. A avaliação considera os fortes vínculos estratégicos, financeiros e legais entre a companhia e a Enel Américas, de acordo com a metodologia Parent and Subsidiary Rating Linkage da agência.

O rating da Coelce incorpora os atuais e futuros benefícios para o grupo Enel Brasil provenientes do perfil de crédito do acionista controlador, a Enel Américas, por meio de uma maior flexibilidade financeira. O forte vínculo entre o grupo Enel Brasil e a Enel Américas é evidenciado, dentre outros, pela inclusão da Enel Brasil e subsidiárias relevantes, incluindo a Coelce, em cláusulas de cross default em dívidas da Enel Américas. Além disso, a Enel Américas proveu apoio financeiro de R$ 2,2 bilhões à Enel Brasil na aquisição da Celg Distribuição S.A. (Celg D), concluída em fevereiro de 2017, por meio de aumento de capital e empréstimos de mútuo, e provê suporte financeiro no âmbito da Ampla Energia e Serviços S.A. (Ampla), outra concessionária de distribuição de energia da Enel Brasil.

Para o pagamento da bonificação de outorga na aquisição da concessão da Usina Hidrelétrica de Volta Grande (UHE Volta Grande), no montante de R$ 1,4 bilhão, realizada em setembro de 2017 e com liquidação prevista para este ano, a assunção de dívidas no grupo Enel Brasil deverá se limitar a cerca de R$ 900 milhões, com o saldo restante suportado por recursos provenientes da Enel Américas. A atividade no Brasil é importante para a Enel Américas, sendo o segundo país mais representativo em termos de receita e geração operacional de caixa.

Em bases consolidadas, a Enel Brasil possui histórico de robusto fluxo de caixa das operações (CFFO), com média anual de R$ 1,6 bilhão de 2013 a 2016, com pico de R$ 2,4 bilhões em 2016. No entanto, devido aos elevados investimentos, o FCF vem sendo pressionado. Ainda que o FCF tenha ficado positivo em R$ 325 milhões em 2016, após ter permanecido negativo nos dois anos anteriores, a expectativa da Fitch é de que este permaneça negativo de 2017 a 2020, com pico de R$ 1,0 bilhão negativo neste ano. Alavancagem Conservadora

A Agência estima que a Enel Brasil será capaz de gerenciar a sua alavancagem financeira líquida consolidada limitada em 3,0 vezes, em bases sustentáveis, a médio prazo, mesmo considerando a incorporação da estrutura de capital mais enfraquecida da Celg, consolidada a partir de fevereiro de 2017, a aquisição de Volta Grande, prevista para ser concluída ainda este ano, e os relevantes investimentos planejados nas subsidiárias do grupo. As relações de dívida total/EBITDA e dívida líquida/EBITDA foram de 1,8 vez e 1,2 vez, respectivamente, em 2016. Mesmo em base pro forma, incorporando a compra da Celg na estrutura consolidada, os índices de 2,6 vezes e 2,0 vezes permaneceriam conservadores.

O rating da Coelce considera que o grupo Enel Brasil manterá seu perfil de liquidez em patamares satisfatórios, a partir de novas dívidas para financiar as obrigações com vencimento a curto prazo e da flexibilidade no pagamento de dívidas de mútuo, que representavam 100% da dívida no âmbito da holding ao final de setembro de 2017. Em 31 de dezembro de 2016, o caixa e as aplicações financeiras consolidadas, de R$ 1,2 bilhão, da Enel Brasil cobriam de forma adequada a dívida de curto prazo de mesmo valor em 1,0 vez. A dívida total consolidada nesta data era de R$ 3,4 bilhões. O rating incorpora a manutenção da elevada flexibilidade financeira do grupo Enel Brasil proveniente do vínculo e de suportes do acionista controlador.