Usinas que produzem energia limpa a partir do lixo são inauguradas no RJ

Com tecnologia de ponta, unidades da Gás Verde no estado do Rio de Janeiro transformam biogás em biometano para uso como combustível em automóveis, indústria e na geração de energia elétrica

O estado do Rio de Janeiro receberá duas usinas para produção de energia limpa a partir do lixo. A inauguração das unidades da Gás Verde S.A. acontece na próxima quinta-feira, 4 de julho, no aterro sanitário de Seropédica, onde fica o empreendimento destinado ao refinamento do biogás para ser comercializado como combustível para veículos e indústrias, sendo mais puro do que o gás natural proveniente do petróleo. Já em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, o gás extraído de resíduos alimenta a térmica da empresa, já interligada ao sistema energético.

A UTE contou com o aporte de R$ 100 milhões dos acionistas da empresa, a holandesa Arcadis Logos Energia e a paranaense JMalucelli, sendo construída dentro dos limites do aterro sanitário de Nova Iguaçu, administrado pela Foxx Haztec, de quem a Gás Verde compra o biogás para a geração. Com potência instalada de 18 MW, distribuída entre 12 unidades geradoras, a usina entrou em operação comercial em abril deste ano e pode utilizar 9.500 m³ de biogás por hora para que seus geradores produzam 150.000 MWh por ano. O volume gerado pela térmica equivale ao consumo de 70 mil residências, sendo preciso salientar também que esse tipo de energia, por ser renovável, é menos poluidora do que a gerada por térmicas movidas a carvão, óleo ou mesmo a gás natural.

Já a unidade para transformar o biogás em combustível para veículos e indústrias, implantada no Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, angariou cerca de R$ 300 milhões em investimentos. O empreendimento tem capacidade para produzir 200 mil m³ de gás por dia – volume suficiente para, por exemplo, abastecer cerca de 13 mil carros. Quando em plena operação, a produção será de 73 milhões de m³ por ano de Gás Natural Renovável (GNR), tornando-se uma das maiores produtoras do mundo. A usina distribui o GNR na forma comprimida, por caminhão-feixe, para clientes industriais e para distribuidores de GNV. O gás que sobra, com apenas 50% de metano, ainda fornece parte da energia que abastece a própria unidade.

Durante o processo para purificação, o gás passa por diversas etapas automatizadas que reduzem os níveis de substâncias tóxicas. Com isso, o produto que chega à usina com 50% de metano, sai para o mercado com 95% desse composto, concentração maior que o mínimo de 90% exigido pela ANP (os 5% restantes são de nitrogênio). Esse tipo de matéria prima substitui combustíveis fósseis e o seu aproveitamento para a geração de energia elétrica ou como combustível traz vantagens para o meio ambiente. Entre as principais estão a redução dos gases de efeito estufa; ganho de receita adicional para os aterros sanitários (energia + créditos de carbono), além da redução da possibilidade de ocorrência de autoignição ou até explosão nos aterros, por conta das altas concentrações de metano nesses locais.

Segundo a Gás Verde, o primeiro cliente de gás natural renovável da companhia é a siderúrgica Ternium, no Rio, que receberá um volume de até 72 mil Nm3 por dia de biometano, cerca de 13 carretas por dia. A indústria irá utilizar o gás para uso térmico, entrando na rede de baixa pressão do complexo siderúrgico para atender as áreas do alto forno, aciaria, coqueria e de sinterização, substituindo em um terço o uso de gás natural fóssil. O objetivo é diminuir o impacto ambiental e a mesmo tempo melhorar seu desempenho energético.