CCEE defende apurar declaração de inflexibilidade de usinas depois de valor do CMO

Entidade identificou medidas cujos motivos são desconhecidos e que podem alterar o custo marginal mas que também podem ser naturais da atividade

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica identificou que tem ocorrido mudança na declaração de inflexibilidade de térmicas no sistema. A questão sobre o tema ainda não está clara se essas medidas adotadas pelos geradores foram tomadas de forma legítima ou estão sendo feitas para elevar artificialmente o custo marginal de operação e se aproveitar de um valor mais elevado do CMO.

O presidente do conselho de administração da CCEE, Rui Altieri Silva, afirmou que é necessário apurar essas ocorrências no setor. Afinal, há motivos que são justificados para essas medidas como imprevistos de diversas origens como aquelas relacionadas aos combustíveis, como o gás natural.

“Há situações em que ele pode declarar indisponibilidade, mas se o agente sabia que teria a obrigação de gerar, ele teria que declarar antes”, explicou. “Identificamos algumas ações nesse sentido, mas a Aneel tem que verificar esse movimento”, disse o executivo depois de sua participação na abertura do segundo dia do Enase 2019, evento realizado pelo Grupo CanalEnergia/Informa Markets.

Esse mesmo tema foi abordado pela PSR em reportagem da Agência CanalEnergia no início de agosto. A consultoria alertava sobre a manobra que geradores poderiam tomar e que acabava distorcendo os preços da energia e levaria a ganhos indevidos por parte dos agentes envolvidos.

Esses dados, lembrou o executivo da CCEE, estão disponíveis no IPDO do ONS e reforçou que é necessário que se identifique o motivo da alteração da declaração. “Se há mudança na declaração precisamos saber o motivo”, definiu ele.

Em sua apresentação sobre o tema MRE e GSF no evento que é realizado no Rio de Janeiro, ele defendeu ainda que seja adotado uma outra configuração comercial para a usina de Angra 3. Atualmente, o contrato da central termonuclear que está com as obras paralisadas, é de energia de reserva. Acontece que se mantiver essa característica o deslocamento do GSF provocado pela usina serão mais expressivo. A estimativa da CCEE é de que o impacto será de 2,5%.

“Precisamos estudar uma outra configuração comercial, por exemplo, poderia ser feito um rateio dessa energia como lastro para todos, mas não ser usada como energia de reserva e inflexível”, destacou Altieri.