Saída da GE de Alto Sertão III ainda não está decretada, diz AES Tietê

Empreendimento com 438 MW está paralisado há 3 anos e possui questões técnicas, regulatórias e econômicas para serem resolvidas

A norte-americana GE ainda não decretou se continua ou deixa o projeto Alto Sertão III como noticiado semana passada. De acordo com a AES Tietê Energia, geradora que tem uma proposta de compra do ativo junto à Renova, proprietária do empreendimento, as conversas com a fornecedora de serviços e equipamentos continua. No contrato de fornecimento, a GE é responsável pela obra e equipamentos. De acordo com o CEO da AES Tietê Energia, Ítalo Freitas, há questões técnicas sendo discutidas, mas ele não entrou em detalhes sobre quais são esses pontos dentro do projeto que é classificado como complexo e cujas negociações continuam. Mas, assegurou ele, a fase A do empreendimento é interessante para a companhia.
“Ainda conversamos com o fornecedor que temos hoje no projeto, ainda não está sacramentado que essa empresa ficará ou deixará o projeto”, afirmou o executivo após participar do Smart Grid Forum 2019, realizado em São Paulo.
A Fase A está com as obras paralisadas há 3 anos desde que a Renova, que tem a Cemig e Light como os maiores acionistas na empresa, com 45,83% e 21,72%, respectivamente. O acordo com a AES foi assinado em abril ao valor de R$ 350 milhões pela capacidade instalada de 438 MW. Nesse mesmo acordo estava prevista a Fase B, com 305 MW a serem instalados, por R$ 90 milhões, mas essa fase foi revogada pela Aneel e agora ficou apenas o primeiro projeto que ainda depende de aprovação da agência reguladora.
Freitas disse a jornalistas que o ponto mais delicado do processo que se desenrola atualmente em relação a Alto Sertão III é a questão técnica por estar parado há 3 anos. Há ainda a frente regulatória, pois a Aneel ainda não aprovou o plano para o projeto e ainda a econômica com o vencimento da dívida com o BNDES. O executivo minimizou os efeitos dessas outras duas frentes, mas disse que há um limite para o projeto e que a empresa está atenta a essa situação. “Temos o interesse nesse projeto mas há um limite para ele. A questão regulatória é uma das condições para o negócio seguir adiante, a gente tem que aguardar ainda a questão ser resolvida”, apontou.
De acordo com o CEO, há outras oportunidades de a empresa seguir crescendo no setor elétrico nacional, que é a meta da AES Brasil. Ele lembrou os casos de Guaimbê e Ouroeste. Além disso, a companhia vem estudando como desenvolver o projeto eólico greenfield de 500 MW na Bahia chamado inicialmente de Tucano em que fechou a opção de compra pelo ativo. No momento, disse ele, há várias variantes a serem avaliadas para esse empreendimento, seja por meio de PPAs corporativos, venda de energia no ACR por meio de leilões ou no ACL. Apesar disso, o projeto não está cadastrado no leilão A-6 que será realizado em outubro deste ano.