EPE quer “fatiar” informações do PDE 2030

Objetivo é oferecer ao mercado informações atualizadas sobre o planejamento energético pós-coronavírus

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) pretende divulgar a partir de julho informações parciais do Plano Decenal de Energia (2030) com objetivo de oferecer aos investidores dados atualizados sobre o planejamento do mercado de energia pós-coronavírus.

Pelo cronograma original, o conjunto de estudos seria enviado ao Ministério de Minas e Energia (MME) entre agosto e setembro. Em outubro o documento receberia sugestões de aperfeiçoamentos em consulta pública com o mercado. A publicação final do PDE 2020 ocorreria em dezembro de 2020.

No entanto, a crise do Covid-19 criou um senso de urgência sobre esse cronograma, uma vez que o PDE 2029, publicado em fevereiro deste ano, deixou de ter validade como cenário referencial para orientar os investidores e as políticas do setor energético.

“O PDE 2029 se tornou uma linha de base na qual estamos medindo o estrago que essa crise vem causando”, disse o presidente da EPE, Thiago Barral, durante webinar nesta terça-feira, 2 de junho, promovido pelo Fórum das Associações do Setor Elétrico (FASE) e Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE).

Barral lembrou que antes da crise do coronavírus o cenário para 2020 era de crescimento de 4,2% na demanda elétrica em relação a 2019. As projeções foram atualizadas em maio considerando uma retração do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%, resultando em uma queda na demanda de 3% em relação a 2019.

Segundo Barral, essa redução de mercado pode ser ainda maior, visto que há bancos que já projetam uma retração de -7% no PIB do Brasil. O executivo disse que a equipe da EPE está fazendo um esforço para atualizar as informações e disponibilizá-las ao mercado o quanto antes possível.

“A nossa ideia não é publicar o PDE 2030 como nós conhecemos em julho. A ideia é antecipar alguns cadernos que trazem parciais dessas várias etapas de planejamento, de forma que a informação possa estar disponível ainda que não absolutamente completa e com toda a densidade do Plano Decenal […] para que a informação seja útil para a tomada de decisão”, disse Barral.