Seminário aborda visão do setor elétrico sobre redes privadas e 5G

UTCAL defende espectro da tecnologia sem fio para elétricas e atenta para aumento da complexidade da rede e entraves regulatórios com a Anatel

Com o eminente potencial de uso de novas tecnologias 5G no Brasil, as definições contidas no edital da Agência Nacional de Telecomunicações que resultará em um leilão estimado em bilhões, foram objeto de centenas de contribuições dos mais variados setores, entre eles o elétrico, por meio da UTC na América Latina, que diz representar cerca de 75% dos consumidores no país entre elétricas, fornecedores e consultorias e defende a possibilidade do espectro para as empresas de utilities, no intuito que a tecnologia permita melhorias para áreas como Telecomunicações, Tecnologia da Informação e Tecnologia da Operação.

“Sem disponibilidade de espectro para a indústria não haverá espaço para inovação. Mais que isso, empresas e setores poderão ter seus negócios fortemente impactados. O edital de 5G irá alocar a quase totalidade de espectro disponível por 20 anos”, comenta o Diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas, João Neves Fernandes.

O vice-presidente da UTCAL, Ronaldo Santarém, reafirmou a importância de ampliar a discussão do tema durante um seminário nessa quarta-feira, 10 de junho, e disse que, por conta da internet das coisas, é estimado um crescimento de dez a cem vezes no número de aparelhos e dispositivos na rede, como religadores automáticos, transformadores, seccionadores e equipamentos específicos da área de transmissão e distribuição.

 Quando aumentamos esse devices, é preciso ter a comunicação em tempo real, exigindo uma necessidade grande de taxa de transmissão de dados, como para o carro autônomo ou nas redes inteligentes do futuro”, avalia, afirmando que as companhias de energia precisarão inevitavelmente de uma rede privada para fazer operações de forma confiável em suas redes, sobretudo com altíssima disponibilidade e resiliência.

Ele cita as aplicações de missão crítica como casos fundamentais no segmento e que precisam de um atendimento diferenciado pelo regulador, no caso a Anatel, tais como teleproteção, Scada, automação, controle, videomonitoramento e sincrofasores.

Outras características e oportunidades levantadas são a tele assistência em tempo real para usinas e obras, segurança cibernética para infraestrutura crítica e maior nível de interação entre usuários e fabricantes ou operadores. A nova configuração também possibilita a cobertura de muitos equipamentos na mesma instalação, efetuando uma conectividade maciça e permitindo novas aplicações para a indústria que antes não eram possíveis.

Santarém lembrou que diversas empresas elétricas estão correndo atrás de sua rede privada para num futuro migrar para a 5G, citando casos de âmbito nacional já executados na Irlanda e na Polônia. Por fim, chamou a atenção para o caráter secundário das autorizações e uma interferência com uma garantia pouco limitada, que deve mobilizar discussões com a Anatel.

“O regulador só autoriza caráter secundário para as deliberações com dispensa de chamamento, mas as elétricas não vão participar de leilão, elas tem suas outorgas e pagam outras taxas. As empresas vão precisar discutir isso com a Anatel pois essas licenças podem trazer algum tipo de prejuízo para operação nos diversos segmentos conseguirem suas outorgas”, finaliza.