Crescimento do mercado solar desacelera no primeiro semestre de 2020

Segundo estudo, setor cresceu 92% em relação ao registrado no mesmo período do ano anterior; porém apresentou redução de 12% quando comparado ao semestre imediatamente anterior

O volume de módulos fotovoltaicos destinados ao mercado brasileiro no primeiro semestre totalizou 2,49 GW, sendo 92% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Porém apresenta uma redução de 12% quando comparado ao semestre imediatamente anterior, refletindo uma parte dos efeitos da Covid no mercado brasileiro. Isso é o que aponta o mais novo estudo divulgado pela consultoria Greener.

Apesar da desaceleração no volume de vendas observado como consequência imediata da pandemia, no primeiro semestre de 2020 foram conectados, segundo a Greener, o montante superior a 900 MW de sistemas fotovoltaicos, o que representa 30,6% do total conectado ao longo de todos os anos em geração distribuída.

Assim como em grande parte dos setores, a pandemia do Covid-19 trouxe reflexos ao mercado de geração distribuída, reduzindo a demanda por sistemas fotovoltaicos – este efeito foi sentido com maior intensidade nas empresas integradoras que iniciaram suas atividades mais recentemente, explicou a consultoria em nota à imprensa.

Em 2019 houve a entrada de 4,3 GW de módulos fotovoltaicos no país e, somente nesse primeiro semestre de 2020, foram importados 2,5 GW.

Vale ainda ressaltar os efeitos das flutuações abruptas do câmbio, que afetam o setor a medida grande parte dos equipamentos utilizados são importados, impactando o custo dos sistemas. Entretanto, o estudo da Greener apontou que os custos foram marginalmente repassados ao cliente final, em muitos casos os preços ficaram estáveis. Ao que tudo indica, as cadeias de distribuição e de integração estão absorvendo os custos, ajustando suas margens para se manterem competitivos.

Telecom, bancos, farmácias, supermercados são exemplos de consumidores do setor de serviços e varejo atendidos pelas grandes usinas de GD remota. Este modelo de negócio apresentou importante evolução apesar das turbulências no período.

Mais de 915 MW de projetos solares para locação estão em operação ou em fase de construção e um pipeline superior a 1,5GW em desenvolvimento dos quais ao menos 600MW já possuem contratos firmados com consumidores.

“O mercado de GD remota para locação está movimentando mais de R$ 3 bilhões e outros R$ 5 bilhões deverão ser investidos”, disse Marcio Takata, diretor da Greener.

O perfil sócio econômico e faixa etária do cliente final que opta pela GD também vêm mudando, identificou a consultoria. Os sistemas fotovoltaicos estão sendo acessados por um público cada vez mais jovem. 55% dos titulares de sistemas instalados em 2020 possui menos de 50 anos. Algo relevante se levarmos em conta que, em 2017, 56% desses titulares tinha mais de 60 anos. Além disso, o número de titulares com menos de 30 anos vem crescendo de forma expressiva.

Ainda que minoritária, a participação das classes sociais “menos favorecidas” na aquisição de sistemas fotovoltaicos vem se ampliando, ganhando relevância.

Um fator importante para viabilizar estes movimentos é o desenvolvimento da cadeia que se reflete em melhores condições de acesso à tecnologia. As pessoas físicas vêm pensando cada vez mais em investimentos de longo prazo.
Segundo Takata, “os players do setor precisam considerar esses fenômenos do ponto de vista do marketing e do comercial para acessar esse perfil mais jovem que vai, cada vez mais ter interesse na geração distribuída. As oportunidades estarão cada vez mais pulverizadas nas diferentes classes sociais”.

Outro dado muito importante do estudo diz respeito às mudanças verificadas nos perfis tecnológicos dos módulos fotovoltaicos. Em 2019, os módulos fotovoltaicos importados tinham, predominantemente, células policristalinas “standard” e, no segundo trimestre daquele mesmo ano, os módulos com células de tecnologia PERC (monocristalinas ou policristalinas) comprados eram inferiores a 30%. Agora, 54% do total de módulos possui células PERC.

Por fim, o estudo abordou o tema do armazenamento na geração distribuída. Entre as aplicações do armazenamento de energia, pode-se dizer que ele ajuda no caso de quedas abruptas, como backup, além de reduzir o pico da demanda e otimizar a gestão do horário do consumo. Com o armazenamento, será possível deslocar o uso para o horário mais barato, assim como a carga de bateria. É preciso ter atenção a esse novo fator, que será tendência no mercado.

O estudo da Greener entrevistou mais de 2.000 empresas integradoras entre 21 de maio e 30 de junho, além de 410 usuários finais e 33 desenvolvedores de grandes usinas GD.