Angra 2 volta a gerar energia para o SIN

Central nuclear foi desligada por 58 dias para manutenção e reabastecimento de combustível

Após 58 dias parada para manutenção e reabastecimento de um terço de seu combustível, a central nuclear de Angra 2 foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) às 16:51 horas da última segunda-feira (17), informou a Eletronuclear. No momento, a usina está funcionando normalmente e segue em processo de elevação de potência para chegar a até 1,3 GW.

Durante a inspeção de rotina no combustível nuclear foi identificada uma oxidação superficial nos elementos combustíveis carregados no último ciclo de operação, mais especificamente no revestimento dos tubos que contêm as pastilhas de urânio. Por conta disso, foi necessária uma série de providências adicionais, o que postergou o retorno à operação, indicou a empresa.

Para viabilizar o retorno da unidade no menor tempo possível, a estatal decidiu trocar todos os 52 elementos combustíveis que apresentaram oxidação acima do normal. A substituição foi feita por 24 elementos novos, que já estavam prontos para uso em Angra 3, mais 28 usados, que estavam armazenados na piscina de combustível de Angra 2.

A configuração do reator foi objeto de avaliação rigorosa por parte da Eletronuclear e da Framatome, empresa responsável pelo projeto da central. Após essa análise, a nova disposição dos elementos combustíveis no núcleo foi submetida à aprovação do órgão regulador, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), que aprovou o Relatório do Projeto Nuclear e Termohidráulico (RPNT) permitindo o retorno da unidade à operação e autorizando o seu funcionamento por um ciclo aproximado de nove meses.

A Eletronuclear ainda afirmou que avaliará a viabilidade da utilização, para o próximo ciclo de operação, dos elementos combustíveis oxidados. Diversas inspeções e testes serão realizados pela Framatome, que investigará as causas do ocorrido.

O diretor de Operação e Comercialização da Eletronuclear, João Carlos da Cunha Bastos, ressalta que o incidente em nenhum momento comprometeu a segurança de Angra 2 e de seus trabalhadores. “Pelo contrário, essa parada de reabastecimento foi o maior trabalho de manutenção realizado no país durante a pandemia de covid-19 e transcorreu normalmente, à exceção desse episódio, graças às medidas preventivas adotadas pela empresa”, comentou.