O Operador Nacional do Sistema Elétrico enviou para a Agência Nacional de Águas Nota Técnica referente as Avaliação das Condições de Atendimento do Sistema Interligado Nacional na prospecção de Junho a Novembro de 2021. De acordo com o ONS, ao considerar as previsões de afluência obtidas com a chuva de 2020, a previsão é de perda de controle hidráulico de reservatórios da bacia do Rio Paraná no segundo semestre de 2021, o que implicaria em restrições no atendimento energético nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste.

A nota diz ainda que mesmo com flexibilizações das defluências mínimas no Baixo Paraná e na Hidrovia Tietê-Paraná, os principais reservatórios da bacia do Rio Paraná chegam ao final do período seco com níveis críticos de armazenamento. Com relação ao atendimento da potência, há no cenário de referência uma forte redução das sobras, em especial a partir de setembro, ficando muito baixa em outubro. Já em novembro, os recursos se esgotam, sendo preciso usar a reserva operativa para evitar o déficit da potência.

O ONS recomendou a flexibilização das vazões defluentes mínimas das UHEs Jupiá e Porto Primavera para 2.300 m³/s e 2.700 m³/s, respectivamente, a partir de 1º julho de 2021, fazendo testes em junho. Outra flexibilização no nível mínimo sugerida foi na UHE Ilha Solteira, para abaixo da cota 325,4 metros, a partir de 1º de julho de 2021, com consequente impacto na operação da UHE Três Irmãos. Outra sugestão foi a flexibilização da operação das UHE Furnas e Mascarenhas de Moraes com defluências máximas médias mensais limitadas a 800 m³/s e 900m³/s, respectivamente, entre 1º de junho e 30 de setembro de 2021, e de acordo com as necessidades da operação eletroenergética entre 1º de outubro e 30 de novembro de 2021.

O ONS esclareceu em uma nota posterior que o único cenário em que há risco de déficit é o cenário de referência, usado para mostrar que ações precisavam ser tomadas para evitá-lo. Com isso, o ONS lembra que diversas medidas foram aprovadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE e já estão em curso, o que impede a concretização do cenário e garanta o fornecimento de energia e potência em 2021.

Dentre as medidas em curso, o ONS destaca a flexibilização das restrições hídricas dos aproveitamentos das bacias dos rios São Francisco e Paraná; aumento da geração térmica e da garantia do suprimento de combustível para essas usinas; importação de energia da Argentina e do Uruguai, além de campanha de uso racional de água e da energia.