Puxado pela forte geração térmica na crise hídrica, lucro da Eneva dispara 553%

Empresa quer diversificar modelo de negócio, incluindo a comercialização de gás

A Eneva Energia anunciou que teve um lucro líquido de R$ 363 milhões no terceiro trimestre do ano, um salto de 553% em relação ao mesmo período de 2020. Esse foi o melhor resultado da história para o período, com ganhos impulsionados pelo maior despacho de suas usinas termelétricas, enquanto o Brasil lida com a crise hídrica que tem reduzido a geração hidrelétrica.

O Ebitda ajustado da companhia atingiu R$ 573 milhões com crescimento de 99% em relação ao terceiro trimestre de 2020, em função por conta do despacho elevado no segmento de geração e das margens variáveis positivas das usinas. Outro destaque foi o Custo Variável Unitário (CVU) das usinas a carvão e da UTE Parnaíba I, impactados positivamente com o aumento dos indexadores de combustíveis no período, impulsionando as margens.

“Tivemos uma sólida consolidação de caixa, o que nos coloca em posição um pouco melhor, e vamos continuar crescendo por meio de aquisições”, disse o CEO da empresa, Pedro Zinner.

Crise hídrica
Os executivos da companhia destacam que o agravamento do cenário hidrológico associado ao crescimento do consumo de energia reforça a necessidade crescente de fontes despacháveis na matriz elétrica para a garantia de suprimento.

“Geramos energia na base durante todo o trimestre para garantir estabilidade e segurança ao sistema, por meio de uma energia firme que ajudou a assegurar o suprimento para o país. Esse cenário trouxe um resultado muito forte para a nossa companhia no terceiro trimestre”, afirmou o diretor financeiro da Eneva, Marcelo Habibe.

A produção de gás aumentou 260% no terceiro trimestre em comparação ao período do ano passado, consequência do maior despacho das usinas a gás. A empresa considera diversificar o modelo de negócio, incluindo a questão da comercialização de gás. Entretanto, há algumas dificuldades de viabilizar isso.

“Como hoje a gente não está posicionado próximo a malha de gasodutos, precisamos primeiro originar a solução para poder ter a molécula e então conseguir fechar algum novo contrato dentro deste novo mercado de gás”, disse Zinner.

Entretanto, a alternativa de vender gás para o cliente final ou suprir alguma térmica será uma decisão que estará presente nas discussões da Eneva.