Transmissão terá papel fundamental na transição energética

Capacidade de escoamento no Nordeste deve quadruplicar até 2028, diz diretor da EPE

Durante o painel “Papel das energias renováveis para enfrentar a emergência climática’, realizado nesta quarta-feira, 10 de novembro, durante o Brazil Windpower, a importância da transmissão foi ressaltada dentro do cenário da inserção de renováveis e transição energética, além da eletrificação da economia. De acordo com o diretor da Empresa de Pesquisa Energética, Erik Rego, a capacidade de escoamento da região Nordeste deve quadruplicar até 2028, podendo absorver cerca de 57 GW renováveis. Em 2024, o volume atual dobrará. “Com esse conjunto de obras, vai ser possível receber esse volume todo”, afirma. Segundo ele, os pedidos de conexão se intensificaram, o que fez com que a EPE planejasse essa expansão.

Para o CEO da PSR, Luiz Augusto Barroso, a conexão à rede é um ponto importante, uma vez que o mundo está rediscutindo o papel da transmissão e como facilitar a conexão das renováveis. “Se não houver conexão, não vamos conseguir entregar as renováveis no ritmo que essa transição energética exige. Temos que olhar mais para a parte da implementação”, avisa. Segundo Barroso, o Brasil tem lidado bem com o planejamento da expansão da transmissão com as renováveis, o que não é o caso de outros países, que precisarão se debruçar sobre o tema. Ainda segundo ele, o país tem condições de garantir um sistema confiável com renováveis. Em 2020 e 2021, as renováveis chegaram a atender 120% da demanda instantânea do Nordeste.

Direto de Glasgow, onde participa da COP 26, a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum salientou que essa edição do encontro teve grande penetração da sociedade civil, das indústrias, agentes financeiros e das empresas privadas. “Há um engajamento da sociedade na questão do clima”, comenta. Ela reconhece as dificuldades no cumprimento das metas, mas se mostra esperançosa no alcance dos objetivos.

Para ela, o Brasil tem fundamentos econômicos que permitirão a meta de net zero em 2050, lembrando que os investimentos renováveis estão consolidados. A presidente da ABEEólica pede mais agressividade na transição e o entendimento que oportunidades de negócios virão nesse processo e se colocar com uma grande liderança. “O Brasil está perdendo a oportunidade de se posicionar mais fortemente”, ressalta.

A criação do mercado de carbono foi considerada fundamental na transição por André Clark, Senior Vice President for Siemens Energy Latin America. Para ele, esse tipo de mercado indica investimentos eficientes e a experiência de mercado de carbono interno, além da criação de novos modelos de negócios puxados por experiências locais. O executivo da Siemens sente falta de um posicionamento claro de políticas públicas, que poderiam trazer desenvolvimento econômico ao país no lastro das oportunidades ‘verdes’. “Isso abre oportunidades de crescimento pós-covid de outra magnitude e a gente não se posiciona assim”, explica.

Ele dá como exemplo as eólicas offshore, em que o país não vem sendo considerado pelo resto do mundo, embora a fonte esteja sendo adotada por muitos países ricos. “Estamos fora desse jogo. A hora de jogar é agora”, aponta. Clark pede uma política industrial verde no Brasil no século 21.

Segundo ele, o componente tecnológico na transição também estará presente. No caso da fonte eólica onshore, o país é reconhecido pela competitividade, com a indústria trabalhando com projetos que entram no grid antes de serem provados. “É um setor que empurra a fronteira da tecnologia à frente”, observa.