Indústria classifica suspensão como retrocesso e pede retomada da RVD

Programa de incentivo à redução da demanda de grandes consumidores foi paralisado pelo ONS, com a melhora das condições de operação do sistema

A suspensão pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico do recebimento de novas ofertas para o programa de Redução Voluntária de Demanda dos grandes consumidores do mercado livre foi classificada por porta-vozes do grupo União Pela Energia como “um retrocesso na modernização do mercado.” Em carta enviada ao diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, o grupo formado por 45 associações de diversos segmentos industriais afirma que a indústria recebeu com surpresa a notícia, e pede a continuidade do programa.

A correspondência também fala em preocupação com a conjuntura da formação dos preços de energia no mercado de curto prazo, apontando que o modelo atual vai gerar esse ano um custo superior a R$ 20 bilhões em Encargo de Serviços do Sistema. Os grandes consumidores cobram “um sinal claro e transparente de preços que reflita a realidade dos custos de energia para a produção.”

Em relação ao cancelamento do programa de RVD, o documento destaca que a redução do consumo exige organização e planejamento das empresas, em razão da necessidade de reordenamento dos processos produtivos.

“Para novembro, várias indústrias já vinham se preparando, de modo que a suspensão do programa deve causar novos prejuízos aos consumidores, que podem se tornar mais resistentes a participar de mecanismos pelo lado da demanda, tanto no programa de RVD quanto, eventualmente, de outros programas que se desenvolvam no futuro”, afirmam na carta Luciano Pimentel, Lucien Belmonte(Abividro) e Paulo Pedrosa (Abrace) .

As linhas gerais do programa adotado pelo governo foram propostas pelos próprios consumidores industriais, representados pela Abrace.

Para os executivos, a mudança no modelo de formação de preços é outro tema que precisa ser enfrentado com urgência. “Como é possível os modelos oficiais de formação dos preços e otimização da operação sinalizarem que o custo da energia de curto prazo está inferior a R$ 100 por MWh, ao mesmo tempo que estamos com todo parque termoelétrico ligado, despachando térmicas de R$ 2.500 por MWh?”, questionam na carta.

Eles argumentam que o custo bilionário do ESS vai afetar o consumidor que fechou contratos para garantir a previsibilidade custos, mas terá de pagar em torno de R$ 110 por MWh do encargo gerado pelo aumento do a geração termelétrica, apenas neste último trimestre do ano. O valor é maior que o próprio custo da energia dos modelos oficiais.