Petrobras prevê quase US$ 1 bi para modernização de UTEs até 2026

Planejamento estratégico direciona US$ 2,8 bi para projetos ligados a descarbonização e cria governança para avaliar novos investimentos em fontes não fósseis no longo prazo

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nessa quinta-feira, 25 de novembro, o Plano Estratégico da companhia para o quinquênio 2022-2026, prevendo US$ 68 bilhões em investimentos, 24% a mais do que no plano anterior. Desse total 84% serão alocados na exploração e produção de petróleo e gás natural em águas profundas e ultraprofundas, onde a empresa demonstra diferencial competitivo ao longo dos anos a partir do pré-sal e da produção de óleo e gás com melhor qualidade e menores emissões de gases poluentes.

O PE 2022-26 mantém uma gestão de portfólio ativa, com expectativa de desinvestimentos entre US$ 15 e US$ 25 bilhões, o que contribuirá para melhorar a eficiência operacional, o retorno sobre o capital e a geração de caixa necessária para manter a dívida em patamar adequado, bem como apoiar as melhores oportunidades de investimento de forma sustentável.

Apesar de prever uma diminuição da capacidade instalada de termelétricas próprias e com participação de 6,1 GW médios nesse ano para 4 GW médios em 2026, com a concentração de ativos mais eficientes, a petroleira indica que irá investir ainda cerca de US$ 980 milhões na modernização de UTEs associadas ao projeto Rota 3, que objetiva ampliar o escoamento de gás natural dos projetos em operação na área do pré-sal da Bacia de Santos. O aporte total para os segmentos de refino, gás e energia elétrica soma US$ 7 bilhões.

“Buscamos a otimização do parque termelétrico com foco no autoconsumo e reforço na comercialização do gás próprio, além do compromisso com a abertura do mercado e competitividade através da digitalização e melhoria dos processos”, disse o presidente da companhia, o general Joaquim Silva e Luna, durante o discurso inicial da teleconferência ao mercado.

Além disso, a estatal afirmou que está avançando na análise de possíveis novos negócios que possam reduzir a exposição e a dependência das fontes fósseis, desde que sejam rentáveis e garantam a sustentabilidade da companhia no longo prazo.

Nesse sentido a grande novidade é a criação de uma estrutura de governança para análise e aprovação de entrada em novos projetos focados na diversificação do portfólio, priorizando o segmento de energia ou de novos produtos que não estejam previstos no atual plano estratégico.

“Hoje não temos um caminho ou um modelo definido para investimentos em energias não fósseis e a ideia de criar essa governança é para se aproximar ao máximo desse entendimento”, define o chefe de Finanças e Relação com Investidores, Rodrigo Araújo, salientando as competências-chave que trazem vantagens competitivas para a estatal, como escala de projetos, engenharia complexa e a tecnologia que pode guiar o aproveitamento dessa capacidade no futuro.

“Vemos o mercado mudando para a eletrificação e temos muitas forças para essa transição, com o negócio de energia sendo tocada há 10 anos, além da produção de hidrogênio e outros projetos no mar”, complementa o executivo.

Com relação ao exposto no planejamento, o diretor executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade, Roberto Furian, chamou a atenção para os instrumentos financeiros internos de US$ 2,8 bilhões destinados a projetos ligados a descarbonização da operação, melhora de processos atuais, como no biorefino para combustíveis renováveis, além de estudar, nos centros de pesquisa, como a companhia pode se preparar para um momento de transição mais longo, especialmente no caso da eólica offshore, geotermia e de produzir combustíveis ainda mais limpos como o hidrogênio.

“É um negócio para o longo prazo pois o petróleo ainda apresenta vantagens com relação a outros energéticos, num processo que deve ser lento e gradual”, pontua o diretor, destacando também a separação, captura e reinjeção de CO2, detecção de metano para melhorar a performance dentro do conceito da transição energética.

“Não é verdade que não estamos investindo em energia renovável, mas temos os pés no chão para entender muito bem esse processo”, conclui, incluindo o tema numa terceira linha de atuação da companhia, chamada de “competências para o futuro”.

Por fim, o diretor de Refino e Gás Natural, Rodrigo Costa, ressaltou que a petroleira irá aplicar US$ 320 milhões para melhoria no desempenho operacional através do Programa Reftop, sendo quase a metade destinado a maior eficiência energética dos processos envolvendo gás natural, vapor e energia elétrica, cerca de US$ 160 milhões dedicados. A meta é reduzir o consumo energético em 21% até 2026.