Governo intensifica busca de áreas para novas usinas nucleares

Bento Albuquerque disse na abertura de conferencia sobre energia nuclear que o MME está trabalhando nisso em parceria com o Cepel

O Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou em evento sobre energia nuclear que o ministério está trabalhando em parceria com o Centro de Pesquisa em Energia Elétrica na retomada dos estudos de localização de novos sítios para a instalação de usinas. A meta, segundo o ministro, é intensificar o trabalho de identificação de áreas preferenciais, que permitam ao governo propor ao Congresso Nacional a implantação de novos empreendimentos da fonte.

Albuquerque participou da abertura da décima edição da Conferência Internacional Nuclear do Atlântico, quando destacou que MME tem avançado, em coordenação com outras áreas do governo, para promover a expansão da energia nuclear na matriz energética e consolidar a posição do Brasil no setor. O evento promovido de forma virtual pela Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben) tem como tema a tecnologia nuclear e a redução da pegada de carbono.

“Temos foco no desenvolvimento de energias limpas e renováveis, e destacamos que o Brasil tem uma das matrizes de energia elétrica mais limpas do mundo, com 85% de fontes renováveis” , disse o ministro em discurso nesta segunda-feira, 29 de novembro. Albuquerque lembrou que nos últimos três anos os investimentos contratados nos setores de energia e mineração ficaram próximos de US$ 90 bilhões e representaram mais de 70% de toda a carteira de projetos do governo federal.

Ele disse ainda que o Brasil vai começar uma nova etapa na atividade de regulação, fiscalização e licenciamento, com a atuação da recém-criada Autoridade Nacional de Segurança Nuclear. A nova agência reguladora da atividade no país terá, na visão do ministro, grandes desafios com a retomada do Programa Nuclear Brasileiro e a expansão esperada em todos as áreas desde a mineração até a aplicação final na geração de energia elétrica, passando pela fabricação de radiofármacos, radiação de alimentos, e pelo futuro reator multipropósito (RMP), que vai concentrar as pesquisas relacionadas a todos os setores.

O presidente da Aben, Carlos Henrique Mariz, ressaltou que o setor está em sintonia com as preocupações da sociedade com o aquecimento global, e que a fonte nuclear tem um grande papel como alternativa para produção de energia de base, com mínima emissão de gases de efeito estufa, para substituir a produção a partir de combustíveis fósseis. “O momento é de intensa atividade na geração de energia nuclear no mundo e no Brasil com anúncios de projetos de construção de novas usinas e expansão da vida útil de muitas em operação.”

Já o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, afirmou há pessoas no mundo sem acesso à eletricidade. “Aliviar a sua pobreza tem que fazer parte do nosso plano, e isso significa que a demanda por energia vai crescer, e que a demanda por energia nuclear vai aumentar, sendo necessário desenvolver ações para aumentar matrizes energéticas com baixo teor de carbono”, acrescentou Grossi.

Além da conferência, que vai até o dia 2 de dezembro, vários eventos voltados para a academia, centros de pesquisa e para a indústria estarão acontecendo simultaneamente. Entre eles, os encontros técnicos de Física de Reatores e Termo hidráulicos (Enfir), de Aplicações Nucleares (Enan) e da Indústria Nuclear (Enin). Há também a ExpoINAC, uma exposição de projetos e materiais, e sessões técnicas de pôsteres Juniores, destinadas a estudantes de graduação.