Agentes a postos para eólicas offshore

Setor quer estar preparado para explorar potencial da fonte no Brasil e já pensa na inserção e desenvolvimento

Com 133 GW registrados em projetos aguardando licenciamento no Ibama, a fonte eólica offshore no Brasil já vem se movimentando em busca do ambiente ideal para atração de investimentos e desenvolvimento de cadeia industrial. A formação da demanda para essa nova fonte poderia vir através de um leilão específico. Na visão da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologia, Élbia Gannoum, o leilão é feito por produto e um certame desse tipo seria mais racional que um programa como o Proinfa ou um leilão em que a eólica do mar competisse com a onshore. “Faz sentido falar de leilão só para offshore”, explica. A associação realizou na última quarta-feira, 14 de junho, o Brazil Offshore Wind Summit 2022, no Rio de Janeiro (RJ).

As atenções estão voltadas para 2030, ano em que se espera que os primeiros projetos estejam em operação. De acordo com Rebecca Williams, Head Global de Eólica Offshore do GWEC, a fonte tem crescido em grande velocidade no mundo e a Ásia vem sendo apontada como a nova seara. Para ela, o Brasil precisa trabalhar em um arcabouço regulatório que torne o investimento no offshore seguro e seja capaz de atrair a indústria, possibilitando a queda de custos. Ela dá como exemplo o Japão, onde foi criada uma força-tarefa entre todas as camadas de agentes envolvidos para promover a queda de custos. Ainda segundo a head do GWEC, um bom arcabouço pode fazer com que o tempo médio global de 8 a 9 anos para o desenvolvimento de um projeto seja reduzido.

Apostando nas eólicas offshore desde o início, o banco Santander já atuou em 53 projetos com 33 GW. Segundo Igor Fonseca, Head de energia do Banco Santander Brasil, nos últimos anos houve um crescimento expressivo da fonte. O executivo elege um marco sólido, o desenvolvimento da cadeia de suprimentos, o escoamento da energia e a previsibilidade das receitas como ingredientes para o êxito.

Ainda segundo Fonseca, as Joint Ventures nessa área são comuns. Já a dívida dos empreendimentos costuma envolver muitos bancos. O primeiro projeto de eólica offshore que o banco participou, em 2009 no Reino Unido, agregava 14 bancos. Já em 2011, outro na Alemanha reunia 14 bancos. Nos Estado Unidos, a dívida do complexo eólico de Vineyards (800 MW), da Iberdrola, envolveu 25 bancos.

Com serviços prestados no financiamento das eólicas onshore, o BNDES também quer participar das offshore. Daniel Barreto, superintendente da Área de Energia do banco, lembrou que a instituição já atua com renováveis desde o Proinfa e que a intenção é repetir o desenvolvimento da cadeia industrial. “O aprendizado mostra que é possível gerar emprego e tecnologia”, avisa. No último mês o banco lançou a política para hidrogênio verde.

Pelo lado dos empreendedores, Laura Porto, Diretora Executiva de Renováveis do Grupo Neoenergia, classifica o decreto do início do ano como um ponto de partida e pede clareza no marco regulatório. A executiva considera o hidrogênio verde como um aliado fundamental para a expansão da fonte. “É uma alavanca para offshore”, avisa. Fernanda Scoponi, senior business developer Brasil da Total Energies, acredita que o Brasil reúne muitos atrativos e tem tudo para se destacar mundialmente no mercado eólico offshore. Ela acredita que a regulação não será um entrave. “A regulação é desafio, mas é transponível. Queremos que mercado aconteça”, aponta.