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Um novo posicionamento. É assim que o CEO da 2W Energia, Claudio Ribeiro, define o momento da companhia que completou 15 anos de atuação, tendo começado como uma comercializadora e que agora se auto classifica como uma plataforma de geração. No radar da empresa está a ampliação da sua capacidade instalada de olho na liberalização do mercado livre que deverá ver em um futuro próximo um grande número de novos e pequenos consumidores.

A meta inicialmente, conta o executivo, é a de alcançar cerca de 1 GW em capacidade de geração em dois anos. Atualmente a companhia conta com dois projetos em construção. O primeiro está no Rio Grande do Norte com 138 MW e o segundo no Ceará com 260 MW.

“Nossa perspectiva é de termos mais dois projetos para alcançar o volume de 1 GW, possivelmente serão na fonte eólica”, afirma o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia.

A velocidade de expansão dessa capacidade poderá contar com uma ajuda extra do mercado de capitais. A empresa vem se preparando para realizar um IPO (sigla para oferta inicial pública de ações, em inglês). Hoje, conta Ribeiro, a 2W é uma empresa aberta mas não listada em bolsa. A companhia vem realizando estudos para que possam entender não somente o mercado de capitais brasileiro mas também o externo, pois não descarta essa captação em outros mercados.

“Queremos listar na bolsa para perenizar a companhia e esse movimento é importante para colocar de pé nosso negócio. Temos 400 MW em dois projetos e temos mais outros que podemos colocar ao mercado”, afirma. “Nosso objetivo é de ter 1 GW em operação daqui a dois anos. Para alcançar esse volume esperamos o retorno desses primeiros projetos ou podemos acelerar o ritmo por meio da entrada de equity. Esse IPO pode ser aqui ou lá fora, daqui a uns três ou quatro meses, para isso estamos conversando com investidores, estivemos na Europa e iremos aos Estados Unidos para entender esses mercados”, destaca.

Empresa estuda IPO que pode ocorrer tanto no Brasil quanto no  exterior, para isso está se preparando conhecendo os mercados e assim poder acelerar a implantação dos projetos de geração.
Cláudio Ribeiro, da 2W Energia

A recente capitalização da Eletrobras, inclusive, diz Ribeiro, pode ser um fator positivo para esse movimento, uma vez que os investidores estão com os olhos direcionados para o país. Ele concorda que em um primeiro momento essa operação pode ter drenado os recursos, mas que essa situação não deve se manter e a liquidez volta.

Em um horizonte de tempo mais amplo, o CEO comenta que a companhia poderá chegar a uma capacidade ainda mais elevada, sendo 5 GW ao final de cinco anos. Mas que esse volume depende da velocidade e êxito comercial e a liberalização do mercado livre para os consumidores nos próximos anos.

Além de usar parcela de capital próprio, a fonte de financiamento dos projetos está em diversas origens. A base que a empresa adotou no primeiro, Anemus (RN, 138 MW) foi a emissão de green bonds. Já para Kairós (CE, 260 MW) que é o de maior porte, captou R$ 400 milhões com o BNB e outro montante de igual valor com o Credit Suisse, e ainda há a perspectiva de emissão de debêntures.

No modelo comercial a estratégia é a de atender a pequenos e médios consumidores. Apesar destes não assegurarem PPAs de grandes volumes, apresentam margens mais elevadas. Até porque, lembra, esse é um nicho em que não há competição acirrada como na busca pelos grandes consumidores que garantem financiamento de projetos, mas que em contrapartida acabam por “definir o preço dessa energia”, classificou o executivo.

Outra questão importante, ressalta ele, como argumento para apontar o investimento em geração, está o fato de o ativo em geração sustentar um negócio de comercialização de energia, traz segurança para operar no mercado e posicionar-se de forma mais adequada. Ainda mais com as perspectivas de crescimento que se tem no Brasil nos próximos anos.

Segundo o diretor de operações e marketing da 2W Energia, Claudy Marcondes, a questão mais importante com esses consumidores é como chegar até eles. “Precisamos de várias canais de comunicação, como gerar valor para ele, baseado no ativo que estamos entregando para o cliente. O desafio é o convencimento desses consumidores potenciais”, acrescenta.

Por ser um consumidor que está mais pulverizado pelo país é necessário mais agilidade e escala para atendimento a essa base. Além disso, destaca que a liquidez é importante para gerir a base de ativos e o canal de vendas da comercializadora deve ser de fácil entendimento e ainda é necessário uma área de inteligência de mercado para a gestão do portfolio.

Empresa contabiliza R$ 1 bilhão em contratos fechados com clientes no mercado livre na plataforma de varejo e pouco mais de um ano de atuação direcionada ao novo consumidor de energia.

Nesse sentido, outro dado que traz otimismo em busca dessa operação comercial pulverizada e com potencial de ser bem sucedida está no volume recém alcançado de R$ 1 bilhão em contratos fechados com pequenas e médias empresas para fornecimento no mercado livre. O valor chega pouco mais de um ano depois de iniciar sua atuação no varejo de energia.

Outro fator que a empresa acredita poder entregar valor aos clientes está no 2W Bank, uma fintech onde a empresa atua como originador e fornece um pacote de benefícios aos consumidores. A ideia, lembra Ribeiro, é a de atrair de forma mais ampla o consumidor. Pois com a abertura do mercado será muito importante essa comunicação.

“Nem todo cliente tem a mesma necessidade, os grandes consumidores livres pensam apenas em custo, como nós oferecemos a fonte renovável, entregamos o valor que essa energia traz para esse cliente de ESG. Precisamos escutá-lo, entender suas demandas e criar essa relação de confiança de longo prazo”, relaciona Marcondes.

A aposta da 2W deverá se manter na geração centralizada, preferencialmente na eólica que traz mais escala que a solar. Outro fator destacado é a presença das fabricantes em território nacional. Mas há possibilidade de projetos híbridos.

Além disso, vê a geração distribuída como um importante veículo de expansão da fonte fotovoltaica, mas ainda assim acredita que essa modalidade deverá ser de transição no futuro pelo fato de ser mais complexo conseguir a escala de empresas que atuam no setor elétrico. Inclusive, aponta que empresas de GD deverão ser, em algum momento, alvo de consolidação de mercado por empresas de maior porte, pois são complementares quando o mercado livre realmente ver sua expansão no país.

No outro extremo, o hidrogênio verde, que exige maior escala de geração poderá ser uma realidade no Brasil, mas isso deverá demorar pelo menos uma década. em sua avaliação é necessário monetizar da melhor forma esse energético, que atualmente é vender para a Europa.