Moody’s prevê recuo na busca por hidrelétricas a partir de 2022

Segundo análise, custos e incertezas devido a mudança climática motivam previsão

Análise da agência de classificação de risco Moody’s aponta que os custos de desenvolvimento da energia hidrelétrica e as incertezas trazidas pelas mudanças climáticas indicam que a busca pela fonte atingiu o pico e começará a recuar a partir de 2022. A energia das UHEs é mais de 40% da capacidade instalada e de 45% a 60% do despacho na América Latina. Segundo a agência, as dificuldades para construir novas UHEs longe dos centros de consumo levam a crer que a nova oferta virá em especial do gás natural, para confiabilidade do sistema e de eólica e solar, pelas metas de energia limpa.

De acordo com a agência, a energia hidrelétrica costuma ser econômica, mas o estresse hídrico trouxe danos operacionais e financeiros. A escassez de chuvas do último ano prejudicou o desempenho financeiro das geradoras. As operadoras devem comprar energia no mercado spot para suprir as deficiências de fornecimento, conforme necessário para cumprir obrigações contratuais, enfraquecendo o fluxo de caixa quando os preços da energia spot superam os contratados.

Em 2021, Brasil e Chile passaram por uma forte seca que afetou as hidrelétricas, principal fonte de geração de energia dos países. O Brasil teve que importar energia e impulsionou a geração de energia em usinas que queimam combustíveis fósseis. Com os preços subindo várias vezes e impactando a inflação. No Chile, o sistema também estava sob pressão devido às secas. A geração hídrica estava em seus níveis mais baixos em décadas, o que fez com que o sistema operasse com térmicas usando gás importado e diesel, aumentando os preços da energia spot a nível recorde.

Outro ponto que a Moody’s destaca é a que a construção de novas UHEs, especialmente as maiores, aumenta o risco de negócios de uma empresa de acordo com a magnitude e complexidade do projeto, o desafio regulatório e a dificuldade de estimar os custos finais. Além disso, contingências rotineiramente causam estouros de custos para projetos hidrelétricos na América Latina. Apesar desse retrato para a usinas maiores, as PCHs geralmente têm fases de construção menos complexas e exigem menos capital do que as maiores.

O declínio da fonte na América Latina beneficiaria as seguradoras. Os riscos para as UHEs são considerados de alta gravidade para as seguradoras e podem aumentar a volatilidade nos resultados financeiros das seguradoras e enfraquecer sua qualidade de crédito. O seguro contra riscos de construção e interrupção de negócios para grandes projetos exige recursos de subscrição especializados e habilidades técnicas específicas difíceis e caras de se obter no mercado regional. As mudanças climáticas complicam ainda mais os cálculos de risco de produtos, levando as seguradoras a comercializar produtos subvalorizados que podem enfraquecer os lucros.