A Eletrobras acredita que o Brasil deverá ver os níveis de preços de energia em um patamar próximo ao piso regulatório por pelo menos mais um ano. A estimativa é de que até o início do período seco de 2024 a curva não se movimente muito ante o atual nível que vem sendo praticado no mercado de mais curto prazo.

Apesar disso, o CEO da elétrica, Wilson Ferreira Jr, ressalta que essa situação não impacta tanto a empresa, uma vez que 85% da energia é negociada a mais longo prazo e que, portanto, sente menos o efeito do PLD.

“O mercado livre em nossas operações não era relevante, passou a ser com os leilões de usinas que tinham parcela de sua energia no ACL e éramos minoritários nesses empreendimentos. Hoje temos 85% da energia vendida em condições atípicas no mercado livre e por isso a média de preços está em R$ 200 por MWh, pois tem a visão de maior prazo”, explicou o executivo em coletiva após a teleconferência de resultados da companhia.

O executivo lembrou que se olharmos para 2021 a situação era inversa em termos de preços e de situação hidrológica. E que, agora, mantendo as condições atuais e com a sobreoferta que existe, a possibilidade é de que o país possa ver preços mais baixos, um pouco acima do PLD mínimo nos próximos dois a três anos.

“Ano que vem está claro que até o período seco o cenário é esse”, destacou.

E em termos de estratégia de comercialização a Eletrobras deverá continuar com foco no mais longo prazo ao passo que anualmente 20% de sua energia vai sendo descotizada, de acordo com a lei 14.182. Com isso, disse ele, a empresa possuirá recursos ao passo que a abertura do mercado livre avança.

Tanto que a Eletrobras iniciou as operações em sua holding e subsidiárias para a comercialização de energia própria, figura essa que não existia anteriormente.

“O ACL tem uma nova dinâmica com a liberalização, eram não mais que 15 mil consumidores e agora em janeiro passará a agregar mais de 100 mil e depois em 2026 poderemos ver um maior dinamismo”, disse ele em referência à proposta da abertura da baixa tensão. “Os consumidores buscarão contratos maiores e temos uma vantagem importante”, acrescentou.

Com a estrutura, liderada pelo VP de Comercialização, João Carlos Guimarães, a Eletrobras passará a buscar esse portfolio de clientes B2B e posteriormente no varejo a partir de 2026.