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Um estudo com base em dados fornecidos pelos membros da Confederação Europeia de Waste-to-Energy Plants (CEWEP) mostra a não correlação entre as emissões de dioxinas e furanos nos arredores de uma usina WtE. A instalação em si corresponderia a menos de 0,2% do total dos lançamentos industriais desses poluentes associados a doenças cancerígenas, graças as rigorosas legislações e ao monitoramento, que deve ser realizado durante todas as fases de operação dos empreendimentos que usam resíduos não recicláveis em fonte de energia e calor.

Embora o escopo cubra apenas uma parte dos inúmeros estudos e dados disponíveis, na visão da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (Abren), a pesquisa proporciona uma avaliação aprofundada da situação, com as emissões dos dois gases a partir da incineração do lixo se mostrando similares, tanto em medições periódicas, quanto em amostragem contínua.

“Instalações de WtE bem gerenciadas emitem concentrações extremamente baixas desses componentes, às vezes abaixo até do limite de detecção dos instrumentos de medição”, defende o presidente da entidade, Yuri Schmitke, afirmando que a indústria está sendo acusada de emitir esses poluentes, no que ele classifica como desinformação.

Forno é lacrado e tratado com filtro de manga, carvão ativado e injeção de cal ou bicarbonato (NEWEST-CCUS)

“São alegações infundadas e que podem afastar investidores”, completa, referindo a compilação de diversas pesquisas científicas feitas nos últimos anos nesse levantamento, considerado o mais recente sobre esse impacto das WtEs na Europa, onde a tecnologia está disseminada. No Brasil a Abren quer reduzir o custo de implementação pela modalidade de autoprodução e de outros custos que podem ser evitados nas administrações municipais.

Segundo o especialista, as normas ambientais brasileiras são espelhadas nas diretivas da União Europeia e permitem a mesma segurança na operação dessas usinas no Brasil, a partir de um rigoroso processo de licenciamento e fiscalização que é feito pelos órgãos ambientais, não havendo qualquer risco para a saúde pública ou ao meio ambiente. Recentemente a primeira planta desse tipo a começar a sair do papel no país foi alvo de críticas do Instituto Pólis, mas quanto ao processo de licenciamento.

Renovável?

Yuri também afirma ser esse o segmento mais regulado e restritivo em termos de emissões, sendo considerada uma energia limpa por conta da utilização de modernos sistemas de controle de emissões atmosféricas (APC) que são instalados nos ativos, sendo que as emissões estão 70% abaixo das normas ambientais mais restritivas vigentes. O forno é lacrado, onde os gases passam por filtro da manga, carvão ativado e injeção de cal ou bicarbonato, sendo considerado energia limpa nos centros das cidades europeias.

“Evita-se de seis a oito vezes menos gases de efeito estufa fazendo a recuperação energética dos resíduos,”, aponta, lembrando que o metano é 80 vezes mais nocivo num horizonte de 20 anos do que o CO2, segundo análise do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês).

Emissões das WtEs estão 70% abaixo das normas ambientais mais restritivas vigentes. Yuri Schmitke, da Abren

Outro ponto afirmado pelo executivo é que essas usinas geram menos CO2 do que uma a gás natural, sem contar o benefício das emissões editadas, no conceito de que na combustão se deixou de enterrar resíduos, com 50% das emissões de metano não tendo sido capturáveis e indo para a atmosfera. Renovável na tração orgânica pela metade, Schmitke salienta que 25 estados norte-americanos consideram as WtEs como 100% renováveis, visto que os resíduos inorgânicos seriam enterrados e não teriam utilidade nenhuma, formando um passivo para o meio ambiente e saúde pública.

Ele lembra que qualquer usina emite poluentes em sua cadeia, como a solar na fabricação dos módulos, eólica nas pás e componentes, e as UTES utilizando muito aço, assim como a recuperação energética, mas tendo o trunfo da mitigação dos gases de efeito estufa em comparação aos aterros sanitários, que correspondem a 35% das emissões totais de metano segundo estudos da Nasa e que a Abren está aprofundando com medições in loco nos aterros, baseada na evidência e não em estimativa, diferentemente do que acontece atualmente.

“Com 40 usinas WtEs de 20 MW atingimos o acordo de Paris para reduzir 30% da emissão de metano até 2030”, finaliza o executivo.