Após finalizar um estudo que identificou 3.718 unidades consumidoras de energia elétrica entre 609 órgãos públicos do estado, o governo do Rio de Janeiro busca avançar com sua governança para uma maior eficientização por meio da troca de equipamentos como lâmpadas e uma gestão (usando Inteligência Artificial) visando otimizar o consumo de eletricidade via mercado livre ou geração distribuída. Para depois sim, passar a avançar ainda mais na transição energética via energia solar, biocombustíveis, descarbonização e outros recursos para o futuro.

“Buscamos uma economia de 30% ao ano, para cerca de R$ 200 milhões de alívio no caixa do estado”, disse o secretário de Estado de Planejamento e Gestão do governo, Adilson Faria, em entrevista exclusiva ao CanalEnergia após sua participação em um painel do Energy Summit 2025, que acontece até a próxima quinta-feira (26), na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro.

Faria pontua que desde o último evento, no qual o governo assinou um projeto de lei com a ideia de trazer ainda mais o estado e a capital fluminense em uma concepção de capital mundial da energia e sustentabilidade, é percebido uma evolução na estruturação do arcabouço legal para essa política estadual. “Temos transversalidade entre as secretarias e uma política voltada para aquisição de suprimentos, com a energia entrando nas categorias estratégicas como vetor de crescimento econômico e social”, destaca.

No entanto, em termos de avanços, o estado só possui a Cedae entre suas instituições que já contam com boa parte do fornecimento de energia vindo através do ambiente de livre contratação e da energia solar distribuída. Num modelo que deve ser replicado no ano que vem para mais prédios públicos e operações no estado. “Estamos trabalhando também com cartilhas e pensando até em bonificação para aqueles setores que podem ter uma maior economia”, informa o secretário, ponderando ser esse um processo cultural para toda sociedade e que deve começar no ensino fundamental.

Cabo submarino e maior data center do mundo

Também convidado para o Energy Summit, o secretário de Estado da Casa Civil, Nicola Miccione, disse que o caminho do Rio de Janeiro é complementar suas matrizes energéticas nos próximos anos enquanto a produção de petróleo começar a cair possivelmente após 2030 ou mais adiante. E que o estado possui um cabo submarino que vai até a Europa para ser aplicado em segmentos como data centers e até o hidrogênio no futuro, com uma garantia de energia mais eficiente em relação ao cabo existente em Fortaleza (CE).

“Somos o segundo estado do país em digitalização de serviços, o que possibilita também que empresas possam investir no estado”, comenta Miccione, representando o governador Cláudio Castro no evento promovido pelo MIT Reap Rio. Ele também ressalta o potencial para eólica offshore no litoral como semelhante ao aproveitamento do Ceará e Rio Grande do Norte, e que essa futura implementação dependerá muito de como os leilões serão realizados.

Nicola terminou sua fala salientando que o Brasil vai crescer sua demanda por energia conforme o crescimento previsto de 2% a 3% da economia para os próximos anos, o que exige planejamento para acomodar as novas cargas. “Temos o anúncio de um data center que pode ser o maior do mundo aqui, com origem em Washington”, informa, ponderando que esse tipo de investimento crítico tem sua decisão final acontecendo entre três a quatro anos, com as ações concretas vindo ainda mais à frente.

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