A energia elétrica representa entre 30% e 50% dos custos operacionais de um supermercado, o equivalente a aproximadamente 1,5% do faturamento total, segundo o mais recente estudo da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). O mesmo relatório revela que a refrigeração sozinha é responsável por até 70% desse consumo energético, configurando um cenário desafiador para o setor.
De acordo com o CEO da NEO Estech, Sami Diba, este tema é mais urgente do que parece. “É só pensarmos que a margem média de um atacado gira em torno de 1,5%, ou seja, o mesmo número que representa o peso da conta de luz sobre o faturamento. Isso significa que economizar 20% em energia pode ser o equivalente a ter 20% de aumento do lucro líquido”, explicou.
Entretanto, o especialista também destacou que o problema vai além do consumo energético em si. Contas elevadas refletem também ineficiências operacionais como equipamentos sobrecarregados, manutenção mais cara, maior risco de falhas e, frequentemente, perdas de produtos refrigerados.
“Um ar-condicionado ligado com a loja vazia, uma câmara fria com a porta entreaberta por descuido, luzes acesas em áreas sem circulação. Nenhuma dessas situações é nova, mas todas elas seguem acontecendo todos os dias com impacto direto no caixa”, ressaltou o CEO da NEO Estech.
Tecnologia como solução
A digitalização do setor energético surge como resposta a esses desafios. Sistemas de monitoramento contínuo, análise preditiva e tomada de decisão automatizada permitem identificar em tempo real quais unidades estão consumindo energia acima do necessário e onde estão os principais gargalos.
Além disso, a inteligência artificial já consegue aprender com o comportamento dos equipamentos, antecipar falhas com até 72 horas de antecedência e permitir interação direta com os dados por linguagem natural, tornando a análise acessível a gestores sem conhecimento técnico específico.
“Há ganhos expressivos que podem ser obtidos sem grandes investimentos estruturais. Pela minha experiência, posso dizer que, em muitos casos, apenas a correção de parâmetros operacionais gerou economias reais de até 25% no consumo de ar-condicionado e 15% em refrigeração, com payback praticamente imediato”, explicou Sami.
Contudo, o especialista compara essa abordagem com alternativas como a instalação de painéis solares, que exigem alto investimento inicial e meses para implementação. “Nossa solução pode ser implantada em questão de dias, inclusive em redes com dezenas de lojas, com impacto direto e rápido na redução de custos”, afirmou.
O futuro do varejo inteligente
Para o setor que opera com margens estreitas, a gestão energética eficiente pode representar a diferença entre resultados positivos ou negativos no balanço final. A inteligência de dados emerge como ferramenta estratégica nesse cenário.
“O varejo inteligente não é só aquele que vende mais, é o que opera melhor. E isso começa pelos dados. São eles que mostram o que ninguém vê, que traduzem o detalhe que parecia irrelevante mas que, no fim do mês, pode representar milhões de reais”, concluiu o especialista.
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