O Hospital Albert Einstein está próximo de concretizar um avanço em sua infraestrutura energética com a implementação de sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) como alternativa aos tradicionais geradores a diesel.
O gerente de eficiência e sustentabilidade do hospital, Anfilofio Rodrigues, destacou que os hospitais possuem áreas críticas como centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva e unidades de pacientes transplantados, que exigem disponibilidade energética ininterrupta. “A energia é um recurso fundamental para que a gente garanta a segurança operacional”, afirmou o executivo durante sua participação no webinar promovido pelo Energy Solutions Show na última quarta-feira, 13 de agosto.
Atualmente, as áreas críticas do hospital já contam com pequenos bancos de baterias (no-breaks) para garantir continuidade imediata em caso de falha no fornecimento, sendo a carga transferida para geradores a diesel após alguns segundos. Contudo, esses geradores operam em redundância, garantindo que mesmo em caso de falha de um equipamento, um terceiro módulo assegure a disponibilidade energética.
Transição para os sistemas de armazenamento
“Quando a gente olha para o BESS, estamos falando de substituição direta de uma tecnologia que está consolidada há muitos anos no mercado”. Segundo Rodrigues, o principal desafio está na confiança técnica. Ele destacou que os geradores a diesel representam uma tecnologia com dimensão técnica de conhecimento consolidada tanto pelas empresas de engenharia quanto pelas equipes operacionais.
A instituição já está com uma licitação no mercado para implementar a primeira operação com sistemas de armazenamento de energia. “Está muito próximo de ter um equilíbrio econômico”, revelou o diretor. Ele ainda afirmou que a diferença de custo entre as tecnologias vem diminuindo consistentemente nos últimos anos.
Desafios
Um dos principais obstáculos para a adoção completa do BESS é o fator tempo. “Se você falar em armazenar energia por um período bom, o BESS vai ficando maior e mais caro. Enquanto armazenar diesel é mais fácil, mais tranquilo”, comparou o diretor.
Outro desafio está no equilíbrio entre usar a energia armazenada para reduzir custos nos horários de ponta. E além disso, manter essa energia disponível para garantir a segurança operacional. “Se eu começo a consumir essa energia estocada, eu vou ter que estar abrindo mão da minha disponibilidade no sentido de garantia da segurança operacional”, explicou.
Entretanto, mesmo com a implementação do BESS, alguns geradores a diesel serão mantidos como redundância e para garantir fornecimento por períodos mais longos em caso de falhas prolongadas no sistema elétrico.
Compromisso com a sustentabilidade
Contudo, a iniciativa se alinha ao compromisso do Einstein com a agenda 2030, que visa reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 50%. Desde 2013, o hospital é certificado pela ISO 14001, com 21 das mais de 60 operações certificadas.
“A gente tem uma preocupação muito grande com descarbonização, com redução à mitigação, com redução à eliminação de impactos ambientais”, afirmou o executivo. Ele ainda destacou que o uso de soluções tecnológicas mais verdes e sustentáveis faz parte do dia a dia da instituição.
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