O Instituto Butantan deu um passo importante para garantir a segurança energética de suas operações com a inauguração de uma usina de geração e cogeração de energia. Movida a gás natural, a estrutura tem capacidade instalada de 12 MW e poderá suprir grande parte da demanda energética do complexo responsável pela produção de todas as vacinas e soros da instituição.

A iniciativa chega em momento estratégico, já que a demanda contratada atual do Butantan é de 10,5 MW mensais, com previsão de aumento devido à entrada em operação de novas fábricas de vacinas e soros. Além de preparar o instituto para essa expansão, o projeto aumenta a segurança da rede elétrica e reduz a dependência da concessionária, que por sua vez ganha maior capacidade para abastecer a população.

Segundo o diretor de infraestrutura do Instituto Butantan, Rafael Lubianca, o projeto vem para acompanhar o crescimento e as necessidades de utilidades que o Butantan tem para os próximos anos. Além disso, ele afirmou que traz segurança energética, flexibilidade de manobra em situações de oscilação de energia, desligamentos e até mesmo de escassez.

Economia e sustentabilidade

O projeto, que começou a ser idealizado em 2015 e levou cerca de uma década para ser concluído, promete trazer significativa economia aos cofres do instituto. O coordenador de Manutenção do Butantan, Eduardo Candido Alves, destacou que o Instituto vai reduzir sua conta de energia elétrica de forma substancial e o dinheiro investido deve retornar em menos de cinco anos.

A operação da usina ficará a cargo de uma equipe de 17 pessoas, distribuídas em quatro turnos de trabalho, garantindo o funcionamento contínuo do sistema.

Tecnologia de ponta e reaproveitamento energético

A usina conta com seis geradores movidos a gás natural e incorpora um sistema de cogeração. A fumaça resultante da operação é direcionada para tubulações envelopadas por água desmineralizada, que se transforma em vapor e alimenta uma central de caldeiras elétricas já existente. Antes de ser liberada, a fumaça passa por um catalisador, tornando-se inofensiva ao meio ambiente.

O sistema também aproveita a água quente proveniente do radiador dos motores, que é enviada aos chillers de absorção. Estes equipamentos utilizam o calor em um processo químico com brometo de lítio para gerar água gelada a 6,5°C, que alimentará o sistema de ar-condicionado das áreas administrativas do parque fabril. Este processo permite o reaproveitamento de 1.370 toneladas de água quente.

Como medida de segurança adicional, a usina dispõe de um gerador a diesel de grande porte, semelhante aos utilizados em navios, que funciona como “black start”, sendo acionado em caso de desligamento total ou parcial da rede.

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