Comércios e residências puxaram a queda de 1% no consumo de energia elétrica no segundo trimestre. De acordo com boletim da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a classe comercial apresentou a maior retração, de 4%, interrompendo a sequência de altas observada desde 2021. Já o setor residencial computou recuo de 1,6%, influenciado por temperaturas mais amenas e pela progressão das bandeiras tarifárias.

Em contrapartida, a demanda industrial por eletricidade segue em expansão. A alta foi de 1,8% em um contexto de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% na comparação interanual. E apoiado principalmente pela agropecuária (10,1%), além da redução da taxa de desemprego para 5,8% e da expansão dos rendimentos reais médios (3,3%).

Tendo em vista os nove segmentos mais eletrointensivos, houve expansão na maior parte. Produtos têxteis (9,3%), metalurgia (4,6%), químicos (3,1%), veículos automotores, reboques e carrocerias (3,1%), borracha e material plástico (2,3%) e minerais não metálicos (0,2%). Somente três registraram queda. Produtos alimentícios (2,1%), celulose, papel e produtos de papel (1,5%) e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (0,5%).

Consumo na rede com dados da EPE vs. PIB brasileiro com informações do IBGE

Mercado livre e regulado

No recorte por ambiente de contratação, o Ambiente de Contratação Livre (ACL) avançou 7,9%. Dessa forma, alcançou participação de 45,6% no consumo. A região Nordeste registrou a maior expansão (13,1%), enquanto o Centro-Oeste teve o maior número de novos consumidores livres (76,6%). Contribuíram ainda para o resultado a alta de 4,8% da indústria, e de 15% nos comércios.

Já no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), a retração foi de 7,4% e respondeu por 54,4% do total. O número de unidades consumidoras cresceu 1,6% no período, mesmo com a migração ao ACL. O Norte teve a menor contração do consumo (1,9%), enquanto o Centro-Oeste teve a maior expansão (2,3%). Já a menor contração de 1,7% no consumo cativo residencial atenuou a queda do consumo no mercado regulado.

Ademais, a publicação destaca que a abertura do mercado livre tem mudado o perfil dos consumidores, ainda predominantemente industrial. Assim, a participação da classe diminuiu de 76,9% no segundo trimestre de 2024 para 74,7% nesse período (-2,3 pontos percentuais). Enquanto comércio, “outros” (principalmente serviço público de Água, Esgoto e Saneamento) e a classe rural atingem 17,9% (+1,1 p.p.), 4,9% (+0,9% p.p.) e 2,5% (+0,2% p.p.) respectivamente de participação.

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