O CanalEnergia foi reconhecido com a Medalha do Mérito Nuclear. A homenagem foi recebida pelo subeditor Maurício Godoi na noite da última segunda-feira, 20 de outubro. A entrega ocorreu durante a abertura do Nuclear Legacy, realizado pela Abdan, em Brasília. A reportagem “Angra 3: luz ao fim do túnel se distancia” foi eleita por 72% dos votos entre três selecionadas e que concorriam.
No texto, o subeditor explorou as consequências que o acordo entre a União e a Eletrobras teria sobre a conclusão do projeto da 3ª usina nuclear brasileira, que se arrasta por 3 décadas. No acordo entre as duas partes a ex-estatal abriu espaço para o governo aumentar sua presença no conselho de administração da empresa. Em contrapartida, a União aceitou os termos da empresa que, na prática, representou nova paralisação das obras.
Outra questão é que a Eletrobras manifestou seu interesse em deixar a Eletronuclear e o governo aceitou buscar um parceiro estratégico para a geradora nuclear.
Todavia, na semana passada deu-se um novo passo nesse processo com a divulgação de um acordo entre a Eletrobras, que a partir dessa quarta-feira 22 de outubro, passou a se chamar AXIA Energia, e a J&F. O negócio envolve a aquisição das ações da Eletronuclear nas mãos da empresa privatizada por R$ 535 milhões.
Cenário virou
Analisando a posição das autoridades presentes ao Nuclear Legacy, o acordo é considerado positivo. Além disso, cria um ambiente favorável a uma mudança no regime de atividade nuclear no país. Atualmente, a atividade de geração só pode ser exercida pela União. Mas com a entrada de uma companhia privada como a Âmbar Energia políticos veem uma possibilidade de alteração e assim ampliação da fonte no país.
O presidente da Abdan, Celso Cunha, reforça que a entrada da Âmbar – inclusive em Angra 3 -tem diversos aspectos positivos que deixam o setor com certo otimismo. O primeiro é a capacidade financeira do grupo que vem avançando rapidamente na geração do país. Além disso, outro ponto importante e tem a ver com o avanço dos pequenos reatores é que a geradora possui um parque térmico expressivo.
Celso Cunha, da Abdan acredita que aquisição feita pela J&F pode impulsionar o setor nuclear no Brasil. (Foto: Divulgação/ Abdan)
A associação vem trabalhando junto à Diamante Geração , que opera a UTE Jorge Lacerda, nos estudos para a substituição do carvão para essa modalidade de SMR. A avaliação é de que a Âmbar poderá ser um catalisador de pequenos reatores nucleares devido ao tamanho de seu portfolio de geração térmico no longo prazo.
Impulso
“A gente ganha o reforço pra mexer no marco legal”, afirmou Cunha a jornalistas após a abertura do Nuclear Legacy. “Portanto, o cara que abriu a conversa com o Trump não pode não ser uma pessoa com uma capacidade política”, avaliou ele ao lembrar notícias sobre a influência dos Batistas na questão da sobretaxa às exportações brasileiras para os Estados Unidos.
Adicionalmente, Cunha afirma que a nuclear pode ser uma alternativa. Ademais, a região Sul pode receber o gás natural da Argentina no futuro com o desenvolvimento de infraestrutura para o escoamento da reserva de Vaca Muerta.
Ele calcula que a energia de Angra 3, com todos os problemas enfrentados até hoje, está custando cerca de R$ 640 por MWh. Dessa forma, seria o mesmo valor que uma térmica a gás custaria ao país. Em comparação às baterias esse valor seria cerca de 40% menor.

