A Tabocas ergueu o maior trecho da linha de transmissão Manaus-Boa Vista (500 kV), projeto que aguardou liberação de licença ambiental por mais de uma década.
Em operação desde setembro último, a obra histórica interligou o estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), colocando fim a um isolamento de mais de 50 anos e a uma forte dependência de geração elétrica movida a combustíveis caros e poluentes.
A estimativa é de que de R$ 600 milhões deixarão de ser gastos, eliminando a emissão de cerca de 1,5 milhão de toneladas anuais de CO2.
Responsável por 551 km de extensão, de um total de 724 km do empreendimento completo, a Tabocas enfrentou desafios logísticos, culturais e de engenharia, especialmente no trecho de 126 km que cruza a Terra Indígena Waimiri Atroari.
A empresa seguiu protocolos socioambientais rigorosos, o que a levou a lançar mão de vários recursos avançados, como o uso de drones para o lançamento de cabos a fim de minimizar o desmatamento.
Para registrar toda a complexidade e relevância dessa realização, a empresa decidiu produzir o documentário “LT Manaus / Boa Vista: A Última Fronteira do Desenvolvimento Energético”, que foi lançado na última quarta-feira, dia 12, durante a realização da COP30, em Belém do Pará.
A jornada mais longa do setor elétrico
A conclusão da LT Manaus-Boa Vista foi, segundo conta o presidente da Tabocas, Caio Barra, uma jornada “árdua”. Segundo ele, talvez tenha sido o projeto proposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que mais tempo levou para obter licenciamento na história do setor elétrico.
O grande desafio, de acordo com Barra, concentrou-se na travessia dos 126 quilômetros, localizada em plena Reserva Indígena Waimiri Atroari, área que, para se ter uma ideia, com seus 2,3 milhões de hectares, é maior que o estado de Sergipe.
Como era impossível desviar o traçado da obra, o cruzamento da reserva se tornou mandatório, exigindo a concordância e o monitoramento rigoroso por parte da comunidade indígena.
“Foi a fiscalização mais intensa e meticulosa que eu já presenciei na minha trajetória profissional”, afirmou Caio Barra, destacando que a supervisão indígena se mostrou tão detalhista e cuidadosa que acabou sendo a mais eficaz.
A equipe de construção precisou aprender e seguir um código de conduta específico dos Waimiri Atroari, além de passar por treinamentos específicos antes de entrar na reserva.
As exigências operacionais eram extremas. Devido à preocupação dos indígenas com a saúde, todos os funcionários tiveram que apresentar comprovantes de quatro vacinas.
As restrições de logística e pessoal também foram inéditas. Normalmente, uma obra de grande porte exige mil pessoas no pico, mas o limite imposto à empresa foi trabalhar com apenas dez equipes e, no máximo, 300 pessoas. Além disso, a jornada diária de trabalho era restrita ao intervalo entre 7h30 e 16h45.
Inovação induzida e o legado ambiental
Caio Barra ressaltou que essas exigências induziram a Tabocas a se “reinventar”. O grande aprendizado foi provar que é possível fazer uma obra na Amazônia com desmate mínimo.
Para vencer a mata, cujas copas das árvores chegavam a 50 metros de altura, a Tabocas precisou recorrer a vários procedimentos diferenciados. Foi necessário utilizar torres com até 113 metros de altura, sendo que a área de trabalho no solo foi reduzida de um padrão de 65×65 metros para apenas 45×45 metros.
Já o complexo processo de lançamento de cabos foi inteiramente realizado com o uso de drones de grande porte, capazes de levantar uma carga útil de cerca de 40 quilos.
A preocupação socioambiental exigiu soluções diferenciadas. Para evitar a contaminação da água do Lago de Balbina, utilizada pelos indígenas, a Tabocas construiu uma espécie de ensecadeira em volta das fundações submersas, utilizando três filas de manta bidim para garantir que nenhuma sujeira chegasse à água.
Além disso, Barra lembra que a empresa implementou uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) no canteiro de obras, onde todos os resíduos líquidos eram tratados e a água reaproveitada, um procedimento inédito para a empresa.
Em um dos momentos mais marcantes da obra, a equipe teve que paralisar atividades várias vezes durante rituais realizados antes da derrubada de árvores consideradas sagradas (como um Angelim-pedra) nas áreas das torres. As orações, em geral, se prolongavam por mais de uma hora antes e depois do corte.
Mais de 25 anos de liderança
A conclusão da LT Manaus-Boa Vista é o mais recente sucesso de uma loga trajetória de mais de 25 anos de atuação da Tabocas. A empresa hoje é referência no segmento, atuando em todo o território nacional. Detém cerca de 20% de market share na área de construção de linhas e subestações com tensão entre 230 kV e 1.100 kV. Entre seus clientes de longa data estão grupos como Alupar, Engie Brasil, Eletrobras e a chinesa State Grid.
O histórico de realizações é outro destaque. A Tabocas acumula a construção de 126 subestações e aproximadamente 20 mil quilômetros de linhas, majoritariamente acima de 500 kV. Somente entre 2018 e 2024, foram entregues 9.400 km de linhas em 500 kV e 22 subestações.
A Tabocas também se orgulha de ter sido pioneira no segmento de transmissão em Corrente Contínua de Alta Tensão (HVDC) no Brasil, participando da construção de todos os projetos que utilizaram essa tecnologia.
O futuro é considerado muito promissor, com a Tabocas focando exclusivamente em projetos privados. O maior projeto em andamento é a execução de 47% – cerca de 670 km – da linha de transmissão de 800 kV em HVDC, que conectará Graça Aranha (MA) a Silvânia (GO).
De olho no mercado, Caio Barra afirma que o setor elétrico verá um boom na transmissão até 2030. “Com a Aneel planejando leilões que somarão cerca de R$ 50 bilhões em obras nos próximos anos, a Tabocas está bem-posicionada para o futuro”, avalia o executivo.
(Nota da Redação: Conteúdo patrocinado produzido pela empresa)

