A Natura adota estratégia de transição energética que transcende a eletrificação, integrando múltiplas fontes renováveis e soluções térmicas sustentáveis para transformar completamente sua matriz energética no setor de cosméticos.

Em 2025, a empresa implementou biometano em sua principal unidade brasileira, alimentando caldeiras industriais e frotas logísticas entre Cajamar, São Paulo e Itapeva. “Na Amazônia, nós desenvolvemos um circuito de simbiose industrial convertendo resíduos de bio-ingredientes em biomassa para geração térmica, criando economia circular energética”, disse a diretora de manufatura da Natura, Denise Leal, durante o Energy ao Cubo, evento realizado na quarta-feira, 12 de novembro, em São Paulo e que contou com a parceria do Energy Solutions Show.

As operações na Argentina e México já operam com energia 100% renovável via contratos de compra (PPAs), consolidando presença no mercado latino-americano de energia limpa.

Energy as a Service

Segundo a diretora da companhia, a Natura tem olhado com bons olhos o conceito “Energy as a Service” como alternativa para modernizar equipamentos. Em vez de comprar, avalia locação ou comodato para testar performance e tecnologia antes de decisões definitivas.

“Em vez de comprar o equipamento, colocá-lo como locação ou comodato por um tempo para entender performance e tecnologia”, explicou a executiva da Natura. O modelo permite testar diferentes soluções sem comprometer capital significativo, acelerando aprendizado e reduzindo riscos.

Cooperação setorial

A empresa aposta na colaboração com indústrias, universidades e startups para desenvolver tecnologias de eficiência energética. Além disso, monitora modelos internacionais na Ásia e Europa, buscando soluções adaptáveis ao Brasil.

Com mais de 6.000 SKUs e 3.500 produtos novos anuais, a Natura analisa pegada de carbono em cada inovação. “A meta é 90% de redução nas emissões até 2030, construindo sobre os 43% já alcançados desde 2020”, ressaltou Denise.

Desafios

Contudo, a empresa identifica necessidade de maior proximidade regulatória para influenciar políticas de precificação de carbono e financiamento acessível. A aliança regenerativa com fornecedores estende práticas de energia limpa para toda cadeia de suprimentos.

“As empresas do setor privado precisam ficar mais unidas. É um assunto de todos”, conclui a executiva, enfatizando que colaboração setorial é essencial para acelerar a transição energética nacional.