Um grupo formado por cerca de 30 países assinou o documento Declaração de Belém. A meta é estimular o desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. A ideia é elaborar uma agenda com propostas para enfrentar o desafio de eletrificar diversos segmentos da indústria pelo mundo. A declaração sinaliza que uma das respostas é formar coalizões e criar padrões estabelecidos para que produtos sejam descarbonizados. Ao mesmo tempo deve manter a competitividade internacional.

Segundo a CEO da COP 30, Ana Toni, chegar à indústria é um fator chave para que as metas de redução de emissões e gases de efeito estufa sejam alcançadas.

Tanto é assim que o primeiro ponto da declaração diz “Apoiar um esforço multilateral e multissetorial coordenado para promover a industrialização verde de uma forma justa e sustentável que promova oportunidades econômicas e sociais para todos, acelerando, ao mesmo tempo, os esforços no Sul Global”.

Ação junto a demanda

O documento, intitulado Declaração de Belém na Industrialização Verde Global foi lançado nesta sexta-feira, 14 de novembro, em evento ministerial de alto-nível. Entre os argumentos que baseiam esse acordo está o reconhecimento de que o segmento privado precisa tomar ações. O foco dos esforços buscam alcançar cortes profundos nas emissões da indústria pesada e avanços em tecnologias limpas. Bem como, desenvolver tecnologias de energia renovável, armazenamento de energia, eficiência energética, produção circular e mineração sustentável. Sem essas ações, diz a carta, as metas globais de redução de emissões de carbono não podem ser atingidas.

Essa medida vem na esteira de promover o desenvolvimento de ações que promovam o consumo da energia verde que vem sendo trabalhada desde a COP 28, de Dubai, quando o documento final do evento incluiu a meta de triplicar a produção renovável.

“Começar uma iniciativa como essa, que já tem mais de 30 países, principalmente muitos países do Sul, é muito, muito simbólico, mostra aí a nossa COP de implementação”, afirmou Ana Toni. Para ela a indústria tem papel central nesse processo.

Ana Toni, CEO da COP 30: indústria tem papel central no processo de redução das emissões de gases de efeito estufa. (Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil)

A iniciativa contou com apoio de diversas organizações civis presentes na COP. A Global Renewables Alliance lembra que a maior parte das emissões, ou 75% do total, tem condições para serem eliminadas com o uso de tecnologias atualmente disponíveis. Isso corrobora a avaliação da representante do Reino Unido que ressaltou a necessidade de olhar para aqueles setores considerados difíceis de mitigar, como o de transportes, por exemplo.

Complexidade

O presidente da COP 29, Mukhtar Babayev, apontou que descarbonizar a indústria é uma tarefa complexa. Também citou os segmentos que são de difícil redução. Ele apontou que essas indústrias representam um desafio para o setor como um todo. Ele acrescentou que as metas dos países para redução de emissões, as NDCs, representam uma ferramenta chave para a indústria nesse processo.

“Precisamos de políticas para que as indústrias tenham algo sustentável no longo prazo. As pessoas precisam falar disso. No meu país incluímos essas ações pela primeira vez ao implementar a redução em dois segmentos produtivos, em químicos e remédios”, discursou ele no evento. Babayev reforçou que foi necessária a implantação de um tipo de infraestrutura diferente no Azerbaijão, para que fosse possível apoiar o consumo de energia verde por lá.

“É importante pensar em responsabilidade global das indústrias e, nesse processo, como podemos reduzir as barreiras e tentar evitar uma crise climática maior”, sinalizou.

Pragmatismo

Nesse sentido, Ana Toni disse ser importante atrair o setor privado. Essa parcela da economia possui uma atuação mais pragmática. Contudo, para que esse setor da economia global seja atraído com mais engajamento deve existir uma regulamentação certa. E sua avaliação, essas regras têm que ter a capacidade de proporcionar competitividade no novo mercado de uma economia com baixa emissão de carbono.

“A gente acredita, depois de 10 anos de acordo de Paris, que já temos todos os elementos para agora agilizar a implementação. E quando você fala de agilizar a implementação, você tem que ter quem são os atores que estão na ponta, que é o setor privado, que são os governos subnacionais, os prefeitos e as prefeitas, e por isso a ênfase da presidência da COP de trabalhar com o setor privado e também com os governos subnacionais”, acrescentou.

Da mesma forma, a presidência da COP brasileira está trabalhando para atrair novos países à declaração. Um deles pode ser a China, um dos maiores emissores de gases de efeito estufa e que possui um setor industrial gigantesco. Mais do que uma declaração, o documento é uma das ferramentas que a COP 30 vê como forma para alcançar a meta de financiamento de US$ 1,3 trilhão ao ano a partir de 2035.

Confira a cobertura que o CanalEnergia está fazendo na COP 30 sobre os assuntos relacionados ao setor elétrico.