Serra da Saudade (MG), o menor município do Brasil, com pouco mais de 800 habitantes, tornou-se referência em modernidade energética. Na quinta-feira, 15 de janeiro, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) inaugurou um projeto que une geração solar, armazenamento, medição inteligente e automação, com um investimento de R$ 7 milhões.

O sistema instalado tem capacidade de 2,0 MWh e utiliza um gerador fotovoltaico para carregar um banco de baterias, garantindo autonomia energética em casos de falhas na rede principal. O equipamento pode sustentar a demanda da cidade por até 48 horas, além de melhorar a qualidade da energia fornecida, reduzindo distúrbios e mantendo a tensão estável.

Segundo o vice-presidente de distribuição da Cemig, Marney Tadeu Antunes, a escolha de Serra da Saudade foi baseada em uma análise técnica e econômica que demonstrou que a microrrede era a melhor solução para garantir segurança e resiliência no fornecimento. “Em vez de uma obra cara e demorada, trouxemos uma alternativa técnica de rápida implantação e altamente eficiente para a população”, afirmou o executivo.

Segundo ele, a redução de custos das baterias e placas solares está tornando a tecnologia mais acessível. “Nosso desafio era criar uma rede utilizando energia solar que fosse mais barata e rápida de implementar do que a convencional. Conseguimos reduzir custos e apresentar resultados promissores, que já foram reconhecidos em congressos internacionais, como o Cigrê na França e no Canadá,” afirmou Antunes.

Além da geração de energia, o projeto inclui medidores inteligentes, automação da rede e modernização do parque de iluminação pública, ampliando os benefícios para a comunidade. O sistema está conectado ao centro de operações da Cemig, que monitora o desempenho da microrrede e avalia sua expansão para outras localidades.

Expansão

A experiência em Serra da Saudade servirá como referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais. O projeto, inicialmente piloto, será expandido para mais municípios, com previsão de investimento de R$ 80 milhões em 10 cidades. A Cemig já mapeou especialmente áreas de topografia complexa e redes extensas, onde soluções convencionais podem ultrapassar R$ 30 milhões em custos.

“O que estamos entregando em Serra da Saudade é um exemplo de como a engenharia pode evoluir para responder às necessidades da população com inovação, sustentabilidade e eficiência. Essa microrrede inaugura uma nova fronteira para a distribuição de energia no Brasil e nos dá confiança para avaliar sua aplicação em outras regiões da nossa concessão,” ressaltou Antunes em entrevista.

Programa Mais Energia

Outro destaque da Cemig é o programa Mais Energia, que visa construir 200 subestações em sete anos, um marco considerando que a empresa construiu 400 subestações em 70 anos. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia e pela escassez de mão de obra, a Cemig adotou soluções, como descentralizar escolas de eletricistas e formar profissionais em parceria com o Exército.

“Hoje entregamos a subestação número 148 e, no próximo mês, alcançaremos a marca de 150 subestações. Isso demonstra nossa capacidade de superar desafios e atender às exigências da Aneel, como melhorar o DEC que mede a confiabilidade do sistema,” explicou Antunes.

O programa também busca eliminar cargas reprimidas, melhorar a confiabilidade do sistema e atender às exigências regulatórias, como a redução do tempo médio de interrupção de energia. A Cemig está investindo em tecnologias compactas e eficientes, como subestações pré-fabricadas, para acelerar a implementação e reduzir custos.

* A repórter viajou a convite da Cemig.

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