A PSR analisará o resultado do LRCAP em tempo real este ano. Essa oportunidade ocorrerá no Workshop PSR/CanalEnergia 2026. Esse será o primeiro evento na agenda do setor elétrico e que acontece em 18 de março, simultaneamente ao certame. Esse é um bom exemplo de como o ano de 2026 é, particularmente especial. Isso porque há uma forte agenda regulatória em curso, principalmente a partir da regulamentação de diversos pontos aprovados na Lei 15.269/2025.

Não bastasse isso, o tempo está curto para discutir todos os temas que o setor elétrico tem à frente. Afinal, acontece ainda a Copa do Mundo e eleições gerais, que colocam mais pressão sobre as discussões. Dessa forma, a PSR avalia que não deveremos ter tempo para resolver todas as questões que estão colocadas. Entretanto, o setor poderá ver o endereçamento de muitas discussões relevantes para o futuro.

Em uma rápida entrevista, o CEO da PSR, Luiz Barroso, fala sobre o 16º Workshop PSR/CanalEnergia.  Ele comenta sobre as perspectivas que serão debatidas na abertura dos eventos em 2026. Ele destaca os temas e, principalmente, fala sobre a realização do leilão ao mesmo tempo do evento. Essa coincidência permitirá à consultoria aportar aos participantes os impactos dos resultados nos preços, tarifas de energia, na regulação e no mercado como um todo. E tudo isso, em tempo real.

Leia abaixo a entrevista concedida por Luiz Barroso ao CanalEnergia

CanalEnergia: O ano de 2026 apresenta uma agenda regulatória intensa. Inclusive, a PSR abordou o assunto em sua edição de janeiro do Energy Report. Temas como descarbonização, digitalização, abertura de mercado são medidas que tendem a avançar em meio ao dia a dia das questões do setor elétrico. Entre elas temos a  solução para o curtailment, atendimento à demanda no horário de ponta, tarifas de energia e, em meio a isso tudo, temos eleições e Copa do Mundo – sem falar das tensões geopolíticas atuais. Quais devem ser os caminhos a serem seguidos pelo setor elétrico? Teremos tempo para resolver tudo isso?

Luiz Barroso: O ano de 2026 é particularmente especial porque há uma forte agenda regulatória em curso. Principalmente, a partir da regulamentação de diversos pontos aprovados na Lei 15.269/2025. E, como você mencionou, o ano ainda terá eventos importantes, como as eleições no segundo semestre, o que torna esse período desafiador. Neste ano, também há a expectativa de realização de leilões importantes e necessários, como o leilão de reserva de potência na forma de capacidade (LRCAP), esperado desde 2024.

Há ainda, o pioneiro certame destinado para soluções de armazenamento de energia. Não teremos tempo para resolver todas as questões que você coloca em 2026. Contudo, certamente podemos, em 2026, conduzir muitas discussões relevantes como as já colocadas pela Aneel e o MME. Eu cito ainda a tarifa branca, dupla contabilização, PNAST e outras que virão. Nesse sentido, não podemos esquecer que os caminhos para navegar nesta turbulência envolvem o diálogo com o setor. Esse processo exige muita calma para não sejam tomadas decisões precipitadas em temas complexos e sem ampla análise técnica.

CanalEnergia: A PSR realizará a 16ª edição do seu Workshop em 18 de março, curiosamente na mesma data do LRCAP. O que o Workshop agrega ao participante?

Luiz Barroso: Há mais de 16 anos a PSR realiza seu Workshop anual com o mote que “agregamos formação além de informação”. É uma troca de experiências muito rica e um evento muito dinâmico, cobrindo os temas mais importantes da agenda energética do país, os temas que você destacou. Além disso, há outros como curtailment, e temas “bombando” na agenda internacional como o cenário geopolítico global. Bem como, as perspectivas para descarbonização, incluindo um cenário de litigância climática, a judicialização do clima.

Além das sessões temáticas, que são muito centradas em perguntas e respostas, teremos cerca de 40 especialistas qualificados da PSR disponíveis para aportar conhecimento a todos os participantes. Teremos quatro grandes blocos, com os respectivos temas principais: inteligência artificial e clima; regulação; novas tecnologias; e perspectivas de oferta, demanda e preços. Na programação deste ano, teremos uma conversa com o CEO da Energisa, Ricardo Botelho, que poderá dar a visão do agente sobre essa agenda de modernização e os pontos que discutiremos no evento.

E neste ano o Workshop coincide com o LRCAP, o que é ótimo, pois nos permitirá, em tempo real, aportar aos participantes os impactos dos resultados do leilão nos preços, tarifas de energia, na regulação e no mercado como um todo durante o nosso evento.

 CanalEnergia: De toda essa agenda, A PSR acredita que há prioridades que o país deveria seguir no sentido de preparar o setor elétrico para o futuro?

Luiz Barroso: Uma agenda que entendemos ser prioritária é a modernização da estrutura tarifária. A tarifa branca, por exemplo, é um primeiro gatilho para uma estrutura tarifária que carece de uma modernização maior há muitos anos. Também acreditamos que a reforma do mercado de curto prazo, incluindo os elementos para instruir a dupla contabilização como propostos pela Consulta Pública 218, é importante. Também será importante regulamentar o Encargo de Complemento de Recursos (ECR), que estabelece teto para determinadas rubricas cobertas pela CDE.

CanalEnergia: Data Centers, IA, H2 Verde são algumas das apostas para esse futuro no país. Ano passado houve o avanço de pautas no Congresso com novas leis. O setor elétrico está diretamente envolvido nesse processo de transição energética e redução das emissões de carbono não apenas localmente, mas globalmente. Sendo assim, como é que o país poderá assumir o protagonismo global desse processo? Em quais áreas (regulatório/governança/operacional…) e como poderemos avançar para obter os avanços esperados e conseguir alcançar os benefícios dessa revolução que vem se falando há anos?

Luiz Barroso: Com um elevado nível de renovabilidade, o setor elétrico brasileiro tem a oportunidade de contribuir para a descarbonização de outros setores do país, como o transporte e a indústria, permitindo a eletrificação e a descarbonização da economia brasileira a partir de fontes limpas e competitivas. Para isso, existe um roadmap a ser seguido, do ponto de visa político, regulatório e tecnológico, entre outros aspectos. Esta foi a essência da Coalizão do Setor Elétrico, liderada pelo CEBDS e com o apoio técnico da PSR, que reuniu mais de 70 entidades para preparar uma proposta concreta entregue no ano passado ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.

Este ponto é particularmente importante porque há estudos que apontam para um crescimento expressivo de novas cargas, como os data centers, e que preferencialmente devem ser atendidas por fontes de baixa emissão de carbono mas que devem ser responsáveis pelo pagamento dos seus próprios custos agregados ao sistema. Da mesma forma, a inteligência artificial exerce um papel importante ao contribuir em estudos sobre os efeitos da mudança do clima no planejamento da geração da oferta futura de energia. Esses fatores serão debatidos em um painel durante o Workshop que discutirá o mundo pós-COP30, que abordará ainda riscos e o crescente papel da litigância climática.