As variações nas tarifas de energia elétrica devem gerar um impacto de aproximadamente 40 pontos-base (0,40 ponto percentual) na inflação oficial do país (IPCA) em 2026. A projeção é da TR Soluções. O cálculo reflete os efeitos diretos dos reposicionamentos tarifários das distribuidoras sobre as contas dos consumidores.
A estimativa da TR Soluções considera um cenário-base que isola os reposicionamentos tarifários. Nesse sentido, não inclui o possível acionamento de bandeiras tarifárias ao longo do ano. Entretanto, a pressão inflacionária da energia sobre o índice final poderá ser maior caso o sistema elétrico enfrente um cenário de estresse hídrico e, consequentemente, o acionamento das bandeiras. A projeção também pressupõe a manutenção das atuais alíquotas de ICMS e PIS/COFINS.
Tarifas residenciais
Além do impacto na inflação, a TR Soluções estima que as tarifas residenciais terão um aumento médio de 11% em 2026. Os cálculos foram realizados com base no Serviço para Estimativa de Tarifas de Energia (SETE). Entre os principais fatores que impulsionam os reajustes estão o aumento dos custos de compra de energia e das tarifas de transmissão.
Outro elemento relevante é o início do fornecimento de usinas contratadas no LRCAP, que adicionará mais de 2 GW ao sistema já a partir de agosto. O impacto dessas usinas será observado nos processos tarifários de maio em diante. A exceção é para distribuidoras que já passaram por eventos tarifários. Ou seja, o efeito será sentido apenas em 2027.
Por outro lado, alguns fatores devem mitigar os aumentos. O custo do serviço de distribuição deve crescer abaixo da inflação. Já os custos associados ao subsídio da Conta de Desenvolvimento Energético para GD devem pesar menos, já que a Lei nº 15.269/2025 determinou que consumidores livres também contribuam com o subsídio. Além disso, o fim do suprimento da maioria dos contratos do leilão emergencial de 2021 também favorece os consumidores.
Mercado livre
No mercado livre, no entanto, a alteração no critério de rateio dos custos da energia das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2 deve ser o principal fator de aumento. A Lei nº 15.235/2025 é determinou essa mudança. Ou seja, os consumidores livres deverão arcar com um acréscimo de cerca de R$ 10/MWh devido à inclusão no rateio dos custos da energia nuclear.
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