O consumo nacional de energia elétrica foi de 49.591 GWh em abril de 2026. Esse volume representa um aumento de 3,8% em comparação a abril de 2025. Os dados são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). O resultado reverte a tendência de queda observada nos dois meses anteriores e reflete o aquecimento da atividade econômica e as condições climáticas favoráveis ao maior uso de energia.

As classes residencial, industrial e comercial apresentaram aumentos no consumo de 8,7%, 1,4% e 5,6%, respectivamente. Somente a classe outros registrou queda de 3,2%, puxada principalmente pelo consumo rural. Todas as regiões geográficas avançaram, no Norte ficou em 7,6%, Nordeste em 4,9%, Sudeste com 3,3%, o Sul com alta de 2,9% e, por fim, o Centro-Oeste avançou 1,6%. Dessa forma, o consumo nacional acumulado nos últimos 12 meses foi de 568.038 GWh, aumento de 0,2% na comparação com igual período anterior.

Setor industrial

O consumo industrial de eletricidade em abril de 2026 foi de 16.905 GWh, alta de 1,4% comparado a abril de 2025. Por região geográfica, Sul (2,4%), Centro-Oeste (2%), Norte (1,9%) e Sudeste (1,4%) consumiram mais. Apenas o Nordeste recuou, ao índice de 0,9%. Entretanto, Sergipe  foi o que mais expandiu o consumo, alta de 17,9%, mas Alagoas recuou 35,1%, a maior retração.

Entre os 37 setores monitorados da indústria, 22 consumiram mais. Já entre os dez setores mais eletrointensivos, oito elevaram o consumo. Destaque para a extração de minerais metálicos (7,4% ou 95 GWh) e a fabricação de produtos alimentícios (4,6% ou 107 GWh).

Ainda contribuíram para a alta a fabricação de produtos de borracha e material plástico (3,4% ou 34 GWh) e de automóveis (2,8% ou 17 GWh). Além disso, aparecem na lista os setores de produtos têxteis (2,3%; 12 GWh), de produtos de minerais não-metálicos (1,4%; 18 GWh), de produtos de metal (1,2%; 4 GWh) e de produtos químicos (0,4%; 6 GWh). Por outro lado, o consumo de eletricidade reduziu na metalurgia com queda de 1%, que resultou em volume 42 GWh mais baixo.

Classe residencial

Segundo a análise da EPE, o consumo de energia elétrica da classe residencial totalizou 16.153 GWh em abril de 2026. Esse montante representa expansão de 8,7% em relação a abril de 2025. O desempenho pode ter sido influenciado, principalmente, pelas temperaturas mais elevadas em parte significativa do país e pela ocorrência de onda de calor. Assim, esses fatores intensificaram o uso de equipamentos de climatização.

Regionalmente, todas as regiões geográficas apresentaram crescimento, sendo que o Sul (17,5%) foi o maior destaque no mês, seguido pelo Norte (9,9%), Centro-Oeste (9,1%), Nordeste (6,8%) e Sudeste (6,1%). No recorte estadual, Santa Catarina registrou a maior expansão do país, com alta de 21,1%. Paraná e Rio Grande do Sul também apresentaram crescimento expressivo, de 16,2% e 15,8%, respectivamente.

Setor comercial

O consumo de energia elétrica da classe comercial totalizou 9.584 GWh em abril de 2026, registrando crescimento de 5,6% em relação ao mesmo mês de 2025. Trata-se do maior consumo mensal da série histórica da EPE, iniciada em 2004. O resultado acompanha o desempenho recente da atividade econômica, refletido nos indicadores divulgados pelo IBGE.

Em março de 2026, o volume de vendas do comércio varejista avançou 4% na comparação interanual, enquanto o comércio varejista ampliado apresentou expansão de 6,5%. No setor de serviços, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) indicou crescimento de 3% no mesmo período.

Todas as regiões do país registraram expansão no consumo comercial, com destaque para a Região Sul (12,2%), seguida pelas regiões Norte (5%), Sudeste (4,3%) e Centro-Oeste e Nordeste (3,2% em ambas). Entre as Unidades da Federação, os maiores crescimentos foram em Santa Catarina (13,1%), Rio Grande do Sul (12,7%), Paraná (11%), Rondônia (10%), Espírito Santo (8,9%) e Ceará (8,7%).

Mercado livre avança

Quanto ao ambiente de contratação, o mercado livre, com 22.261 GWh, respondeu por 44,9% do consumo nacional de energia elétrica em abril de 2026, com crescimentos de 4,5% no consumo e de 22,5% no número de consumidores, na comparação com abril de 2025.

Já o mercado regulado das distribuidoras, com 27.331 GWh, que respondeu pelos demais 55,1% do consumo nacional. Houve aumentos no consumo de 3,1% e no número de consumidores de 1,7% em abril de 2026.

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