Eletronuclear vai contestar reajuste da tarifa de 16,91% dado às usinas de Angra

Segundo Leonam Guimarães, recursos são essenciais para usar como contrapartida ao empréstimo do BNDES à Angra 3. Empresa pleiteava reajuste de 28,3%

Após ver a Agência Nacional de Energia Elétrica iniciar audiência pública e propor a correção de 16,91% nas tarifas das usinas de Angra 1 e 2, a Eletronuclear vai apresentar mais argumentos ao regulador para chegar aos 28,3% pleiteados no processo. De acordo com Leonam Guimarães, diretor de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da Eletrobras Eletronuclear, esse reajuste será importante para a continuidade da implantação da usina de Angra 3, uma vez que os recursos vão compor a contrapartida da empresa no financiamento obtido para a usina junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social. Inicialmente a contrapartida era de 80/20 e agora está em 60/40. "A negociação das tarifas é fundamental para Angra 3", diz ele, que participou do XVI Congresso Brasileiro de Energia, realizado nesta quarta-feira, 21 de outubro, no Rio de Janeiro.

O executivo da Eletronuclear conta que a empresa chegou no valor de 28,3% através de uma forte pesquisa baseada em benchmark internacional amplo. A base de dados é janeiro de 2015. O valor ainda deve ser deduzido do índice de inflação deste ano, de cerca de 9,7%. A audiência pública vai até o dia 22 de novembro, quando também será discutido o aprimoramento da regulamentação do cálculo desse valor. Segundo Guimarães, a conta é complexa e envolve fatores para finamente se chegar a receita fixa para o ano de 2016 baseada no montante de energia contratada. Ele ainda revela que o valor proposto pela Aneel não seria suficiente para a contrapartida necessária para a usina de Angra 3.

O presidente do Grupo Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, já havia declarado na última terça-feira, 20 de outubro, que os recursos vindos com esse reajuste da receita seriam importantes para dar fôlego financeiro à usina de Angra 3.