Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que cerca de 92% dos shoppings já operam no mercado livre de energia e 87% usam energia renovável, evidenciando que o setor está avançando cada vez mais em direção a uma gestão sustentável em todo o território nacional. E a busca por economia e previsibilidade nos custos levou o Grupo Tacla a migrar seus empreendimentos para o mercado livre de energia, uma decisão que tem proporcionado reduções médias de cerca de 30% na fatura de energia elétrica em comparação ao mercado cativo.

Segundo a gerente de operações, Luana Costa Almeida Dias, a energia é um dos principais custos operacionais desses empreendimentos e a transição tem sido estratégica não apenas para aliviar o orçamento, mas também para garantir maior estabilidade financeira. Ela destacou ao CanalEnergia que a economia foi percebida já no primeiro mês após a migração, com reflexos imediatos na fatura da geradora e, em até três meses, nas cobranças da distribuidora. “Os benefícios de estar no mercado livre vão além da redução de custos e do impacto ambiental, por utilizarmos fontes renováveis. A previsibilidade do custo mensal e a baixa volatilidade de preços, alinhadas às políticas nacionais, também são vantagens desse modelo de contratação”, disse.

A contratação no mercado livre também trouxe um benefício adicional: a possibilidade de consumir energia 100% renovável, o que resultou no sequestro de mais de 3 mil toneladas de CO₂ apenas no último ano, reforçando o compromisso do grupo com a sustentabilidade. “Todos os nossos lojistas que possuem políticas ESG também se beneficiam dessa modalidade de contratação”, destacou.

Ela ainda afirmou que hoje, os lojistas conseguem perceber o impacto da contratação no mercado livre principalmente no custo do condomínio. “Todo benefício é repassado aos nossos parceiros”. Para os novos shoppings, o grupo já estrutura os contratos com cláusulas que facilitam a migração e evita custos adicionais com rescisões ou trocas de medidores. E a Tradener, comercializadora parceira, tem papel fundamental na negociação com geradoras e na escolha do produto ideal, respeitando a sazonalidade do varejo e as demandas específicas de cada unidade.

Segundo a executiva, o grupo Tacla possui shoppings com usinas solares e apoiam os lojistas na contratação de energia via mercado livre ou geração distribuída, por meio de parceiros. “Também contamos com um departamento de inovação, que, em conjunto com operações, desenvolvemos vários projetos e políticas para eficiência energética dentro da companhia”, ressaltou.

Ela ainda afirmou para os profissionais de shoppings que pretendem realizar a migração, é importante contar com um bom comercializador e gestor como parceiros. “Nosso segmento possui uma sazonalidade bastante específica, e ter uma empresa que já conheça essa modulação facilitará na escolha do produto. Outro fator importante é a contratação com antecedência, para que haja tempo suficiente para realizar as rodadas de orçamento, conversar com as geradoras e garantir que o processo ocorra da melhor maneira possível”, disse.

Desafios

Sobre os desafios da migração, Luana citou o principal sendo a modelagem do produto a ser comprado, ou seja, a flexibilidade e o volume. “Após definir esses fatores, o segundo desafio é o momento de aceitar a proposta, pois, como o valor varia várias vezes ao dia, muitas vezes fica a dúvida se aquela proposta é realmente a melhor”, explicou.

Ela afirmou que os shoppings do grupo com mais de 5 anos passaram por mudanças operacionais para adequar os medidores à nova realidade. “Já os shoppings mais novos nasceram com toda a infraestrutura preparada para o mercado livre de energia”, disse.

Crescimento desse movimento em Shoppings

Para a Tradener, esse crescimento é visto com muito bons olhos e grande potencial de economia para o setor. “Notadamente esses empreendimentos obtém mais economia em relação ao mercado cativo, maior previsibilidade de preços, maior flexibilidade, acesso a energia limpa e eventuais certificados”, destacou o CEO da companhia, Guilherme Avila.

Segundo ele, hoje são pouco os desafios enfrentados por shoppings na migração para o mercado livre dada a maturidade do mercado livre. “Temos muitos shoppings na nossa base de clientes. Existem claro algumas etapas burocráticas a serem superadas que infelizmente ainda são maiores do que a tecnologia atual permitiriam que fossem”.

Economia

A migração representa economia e também ganhos em previsibilidade e sustentabilidade. Para Avila, esses benefícios vêm com uma carga adicional de responsabilidade sobre o fornecimento de energia, que não existe no mercado cativo. “Por isso, a importância de estar bem assessorado em especial nas renovações futuras, que devem ser planejadas com antecedência, buscando manter a economia e/ou a competitividade do consumidor, muito mais do que o aproveitamento de eventual cenário de PLD”, explicou.

Com a abertura total do mercado, a Tradener vê a ampliação com notável benefício econômico a esses consumidores. “A ampliação potencial de seus resultados e um amadurecimento natural do setor em linha com o que já ocorre no resto do mundo”, finalizou.

Confira a participação dos shoppings nesse segmento:

Menos gasto, mais eficiência: como o mercado livre de energia está mudando os shoppings