A Auren Energia está intensificando sua atuação no setor de data centers, um mercado em franca expansão impulsionado pela transformação digital global. Em entrevista exclusiva ao CanalEnergia, José Guilherme Amato, gerente de negócios de carbono e data center da Auren Energia, destacou que a decisão de olhar com mais atenção o segmento de data centers é estratégica. “Depois de acompanhar de perto os forecasts relacionados à expansão da carga do setor, percebemos que, dentre todos os segmentos industriais do Brasil que podem destravar novas demandas, o data center é o que tem mais potencial de carga nova para os próximos anos e desde o ano passado, temos uma unidade de negócios dedicada ao setor de data center”, afirmou.

A quantidade de carga dos data centers ao redor do mundo hoje, temos quase 74 GW de energia para abastecer os data centers globalmente, com 50% dessa capacidade concentrada nos Estados Unidos. Segundo o executivo da Auren, a geração de energia não representa um obstáculo para o Brasil no desenvolvimento deste setor estratégico. “Pelo contrário, o país possui atualmente cerca de 240 GW de capacidade instalada de energia em termos de território nacional, demonstrando capacidade energética suficiente para suportar um crescimento expressivo no segmento de data centers, o que posiciona o Brasil como um potencial protagonista na expansão da infraestrutura digital na América Latina, especialmente considerando suas vantagens competitivas em energia renovável e a crescente demanda por processamento de dados impulsionada pela inteligência artificial e computação em nuvem”, disse.

Tenho certeza que seremos líderes nessa transição e um hub de data centers nos próximos 10 anos.
José Guilherme, da Auren

Segundo ele, o Brasil é o melhor lugar do mundo para ser um data center, pois temos uma matriz energética verde. “O Brasil não precisa imaginar ou lutar para ter um futuro verde. Já temos, em termos de capacidade de data center, temos quase 800 MW em operação. E estamos prevendo que o mercado cresça algumas vezes nos próximos anos. Mas tenho certeza que seremos líderes nessa transição e um hub de data centers nos próximos 10 anos. Acredito que atingiremos mais de 5 GW em termos de energia para a indústria de data centers no Brasil”, disse José Guilherme durante o Latam Finance Forum 2025, realizado em São Paulo, na última quinta-feira, 03 de julho.

Regulamentação

Contudo, José Guilherme destacou que o mercado de energia brasileiro enfrenta um cenário de intensa regulamentação há décadas, e desde 21 de maio, uma nova realidade se impõe com a publicação da MP, que altera significativamente as regras do setor elétrico. “Esta MP representa uma mudança estrutural nas condições para novos contratos de energia, impactando diretamente os investimentos e a expansão do mercado de data centers no país, que depende essencialmente de fornecimento energético estável, previsível e competitivo para manter sua atratividade frente ao cenário internacional”, explicou.

Ele ainda declarou que a maneira mais barata para um data center contratar energia no Brasil é usando o modelo de autoprodução e com essas regulamentações que o governo está tentando aprovar, isso muda bastante.

O executivo destacou ainda que quando conversa com clientes de data centers, a estabilidade, flexibilidade e contrato fixo são coisas muito importantes. Com um portfólio energético bem balanceado, composto por 56% de hidrelétrica, 34% de eólica e 10% de solar, a Auren oferece contratos estáveis, sem oscilações significativas em termos de geração. “O data center vende confiabilidade e disponibilidade para o cliente. O que um gerador precisa garantir é um contrato flat, sem riscos ou oscilações, com preços pré-definidos para uma gestão mais efetiva de custos”, explicou ao CanalEnergia, José Guilherme.

Este mix energético diversificado representa uma vantagem competitiva significativa em relação a geradores que dependem predominantemente de fontes intermitentes como eólica ou solar. “Essa intermitência do sistema tem um custo muito relevante tanto para o comprador quanto para o gerador”, destacou o executivo.

Enfrentando o desafio da intermitência

Um dos principais desafios do setor energético brasileiro é a intermitência das fontes renováveis. Com 240 GW de capacidade instalada e uma demanda de pico de apenas 80 GW, o país enfrenta um descompasso estrutural entre geração e consumo.

“É um problema estrutural que estamos vivendo. Acreditamos que o sistema interligado já tem certa robustez, mas obviamente precisa de investimento”, pontuou José Guilherme. Ele mencionou que obras significativas estão em desenvolvimento, como o Bipolo 2, previsto para 2029, que deve resolver de maneira significativa o problema de escoamento de energia.

O executivo também destacou o potencial das tecnologias de armazenamento. “A questão de bateria é algo que acreditamos que fará um grande diferencial no sistema, podendo resolver o problema da intermitência no Brasil, mas ainda falta o marco regulatório”.

Expansão e parcerias estratégicas

Atualmente, a Auren Energia possui 8,8 GW de capacidade instalada distribuídos em 39 ativos, além de um pipeline de 1,6 GW para novos projetos. A empresa está construindo o projeto Cajuína 3, com previsão de entrada em operação em janeiro de 2027.

Entre os contratos já firmados no setor de data centers, destaca-se a parceria com a Microsoft. “A operação da Microsoft no Brasil é suprida 100% com os nossos projetos de Cajuína”, revelou José Guilherme. Dos aproximadamente 800 MW que compõem a atual operação do mercado de data centers no Brasil, a Auren já atende uma parcela significativa.

A empresa planeja expandir sua atuação no setor não apenas através de contratos tradicionais de fornecimento de energia, mas também explorando sinergias com o setor, oferecendo soluções de operação de subestação e financiamento, aproveitando a robustez financeira da companhia e a experiência do grupo Votorantim e do CPPIB, seus controladores.

Com o crescimento exponencial previsto para o setor de data centers nos próximos 5 a 10 anos, a Auren Energia se posiciona estrategicamente para ser um parceiro fundamental na transição energética sustentável deste segmento crucial para a economia digital.

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