Em um cenário de crescente complexidade no setor energético brasileiro, uma nova profissão ganha destaque: o energy advisor. Estes profissionais surgem como peças-chave na transição energética, atuando como consultores especializados que orientam empresas e consumidores a navegarem pelo mercado de energia em transformação.

Segundo o CEO da Thopen e Pontal Energy, Gustavo Ribeiro, este é um profissional cujos principais papéis são engajar e construir um relacionamento de confiança com o cliente, oferecendo suporte completo e personalizado de acordo com o nível em que ele está na jornada pela transição energética.

Uma nova abordagem

Contudo, a profissão tem semelhanças com modelos já conhecidos em outros setores. “É muito semelhante à dos antigos agentes autorizados do setor de telecomunicações, com a diferença que usam métodos de comunicação e relacionamento alinhados com as novas tecnologias”, explicou Ribeiro ao CanalEnergia.

Estes profissionais atuam em todas as etapas do processo decisório energético. Isso vai desde a avaliação inicial das opções disponíveis até a análise detalhada do faturamento e a mensuração dos resultados potenciais nas faturas dos clientes.

Habilidades necessárias em um mercado em transformação

A habilidade interpessoal, boa comunicação, organização e um bom entendimento sobre o mercado de energia e sua dinâmica são fundamentais
Gustavo Ribeiro, da Thopen

Diferentemente de muitas carreiras tradicionais, o energy advisor não necessariamente precisa de uma formação acadêmica específica. “A habilidade interpessoal, boa comunicação, organização e um bom entendimento sobre o mercado de energia e sua dinâmica são fundamentais”, destacou o CEO.

No entanto, ele alerta que o mercado está em amadurecimento e passando por um processo de abertura com mudanças. Com isso, essa função demandará cada vez mais por especializações”, disse.

Um mercado que falhou em se comunicar

A ascensão desta nova profissão está diretamente ligada a uma falha do setor energético brasileiro. “Ao longo dos anos, o mercado não foi capaz de encontrar uma forma adequada de se comunicar com os clientes e promover educação e conhecimento sobre o setor”, analisou Ribeiro.

Segundo ele, isso aconteceu porque na época, os players ficaram focados na disputa de quem conseguia vender de forma mandatória pelo preço mais caro, a partir de quem detinha a melhor autorização do governo.

Com a abertura do mercado e o surgimento do conceito de “prosumidor”, que é o consumidor que também produz energia, essa dinâmica está mudando drasticamente. “A transição energética com a democratização, digitalização, descentralização e descarbonização já nascem dentro desse contexto”, complementou.

Desafios e posicionamento estratégico

O principal desafio para quem deseja atuar como energy advisor no Brasil, segundo o CEO da Thopen, é se posicionar de forma estratégica nesse novo ecossistema. Além disso, é necessário entender a melhor forma de se relacionar com cada um dos players existentes no mercado de energia.

Além disso, este posicionamento é crucial não apenas para o sucesso profissional, mas também para gerar resultados significativos para os clientes. “Um energy advisor qualificado pode gerar um impacto financeiro significativo para empresas de médio e grande porte no Brasil. O principal benefício é a economia, que pode chegar a 40% nos custos com energia”, revelou Ribeiro.

Potencial de ganhos expressivos

A profissão também se mostra financeiramente atrativa para quem decide segui-la. “A média de ganhos desses profissionais podem variar bastante, mas com base nos parceiros da Thopen, já vimos profissionais chegarem a ganhar mais de R$ 200 mil em comissão no mês, a partir de um bom volume de negociações fechadas”, afirmou o executivo.

Contudo, para formar estes profissionais, a Thopen tem investido em conteúdo educacional. “Estamos capitalizando a criação de conteúdo, em todos os canais da empresa, com maior viés educacional, porque entendemos que isso é o que o mercado precisa no momento”, explicou Ribeiro. A companhia, que atua no segmento de geração e comercialização de energia, também apoia missões internacionais anualmente e participa ativamente de congressos e projetos no setor.

Sustentabilidade intrínseca à profissão

Um aspecto interessante destacado por Ribeiro é que a contribuição para a sustentabilidade está no DNA da profissão. “A contribuição desses profissionais para as metas de sustentabilidade e descarbonização de empresas é intrínseca ao seu trabalho. São soluções nativas do processo, ou seja, ao promover a adoção de fontes de energia renovável, a profissão naturalmente já nasce com essa missão de contribuir para a redução da pegada de carbono”, disse.

Futuro promissor com a abertura do mercado

Quanto ao futuro da profissão nos próximos cinco anos, considerando as mudanças regulatórias e a abertura do mercado livre de energia no Brasil, Ribeiro é otimista. “Entendemos que quem conseguir montar as suas carteiras de clientes de uma forma eficaz e com clareza nas entregas, se tornarão verdadeiros catalisadores da mudança com a abertura do mercado, e consequentemente também ganharão muito dinheiro, oportunidades de crescimento, além de promover a geração de empregos de qualidade, o que é extremamente positivo para o Brasil.”

Enfim, a digitalização é apontada como a principal tendência tecnológica sendo incorporada ao trabalho destes profissionais, com foco total na experiência do cliente.

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