O setor imobiliário brasileiro enfrenta um duplo desafio energético: consumir quase metade da demanda nacional de eletricidade enquanto contribui com 139 milhões de toneladas de CO₂ anuais. Diante desse cenário, a gestão energética emerge como solução estratégica para conciliar sustentabilidade e competitividade econômica.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) revelam a urgência da situação. Apenas no primeiro trimestre de 2025, a demanda por eletricidade cresceu 2,1% nacionalmente, com picos de 3,4% no segmento residencial. Março estabeleceu novo recorde histórico de consumo, atingindo 49.190 GWh.

Economia energética como estratégia de negócios

Para vice-presidente de digital energy e power products da Schneider Electric para a América do Sul, Patricia Cavalcanti, descarbonizar não significa apenas reduzir emissões, é também encontrar formas inteligentes de economizar e reinvestir. Segundo ela, hoje, temos recursos para transformar prédios em ativos de alto desempenho ambiental e financeiro.

A abordagem proposta pela empresa demonstra como a gestão energética pode gerar retorno financeiro imediato enquanto reduz o impacto ambiental, transformando custos operacionais em investimentos estratégicos.

Diagnóstico energético

A gestão energética eficaz inicia com o mapeamento detalhado do consumo. Auditorias energéticas identificam os maiores consumidores de energia no edifício, desde sistemas de iluminação até equipamentos administrativos, permitindo priorizar investimentos com maior potencial de retorno. Esta análise fundamentada evita gastos desnecessários e acelera o payback das melhorias implementadas.

Automação predial

Sistemas de gestão predial (BMS) integrados com sensores IoT revolucionam o controle energético. Estes sistemas ajustam automaticamente climatização, iluminação e ventilação baseados em ocupação real, condições climáticas e horários de funcionamento. O resultado é a eliminação de desperdícios sem comprometer o conforto, otimizando cada quilowatt consumido.

Climatização eficiente

Com sistemas HVAC representando até 40% do consumo elétrico em edifícios comerciais, sua otimização oferece o maior potencial de economia. A modernização para equipamentos de alta eficiência, combinada com manutenção preditiva baseada em dados, reduz significativamente tanto o consumo quanto os custos de manutenção. Tecnologias como compressores de velocidade variável e chillers inteligentes podem reduzir o consumo energético em até 30%.

Geração distribuída

A implementação de energia solar fotovoltaica e outras fontes renováveis transforma edifícios de consumidores em produtores de energia. Combinada com sistemas de armazenamento, esta estratégia garante economia constante na conta de luz e maior resiliência energética. Em grandes empreendimentos, a migração para o mercado livre de energia pode amplificar ainda mais os benefícios econômicos.

Monitoramento em tempo real

Plataformas de gestão energética em tempo real permitem identificar e corrigir ineficiências imediatamente. O monitoramento contínuo detecta picos de demanda, equipamentos com funcionamento anômalo e oportunidades de otimização, evitando surpresas na conta de energia. Estes dados também alimentam relatórios ESG, valorizando o ativo no mercado.

Engajamento humano

A tecnologia mais avançada depende do fator humano para maximizar resultados. Programas de conscientização e treinamento transformam usuários em aliados da eficiência energética. Pequenas mudanças comportamentais, como desligar equipamentos ociosos ou ajustar termostatos, podem representar economias de 10% a 15% quando adotadas coletivamente.

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