A Sabesp está embarcando em uma jornada para transformar energia em um ativo estratégico, segundo a diretora de gestão de energia da companhia, Gisele Cunha de Abreu. “A Sabesp foi uma empresa pública durante 50 anos, mas agora estamos assumindo novos desafios com uma estrutura diferente como empresa privada”, disse.

A transformação ocorre em um momento crítico quando os custos de energia representam uma despesa operacional significativa para a indústria de saneamento. A empresa atende 28 milhões de pessoas com serviços de saneamento, tornando-se uma das maiores concessionárias do seu setor. No entanto, Abreu ressaltou que desafios permanecem, particularmente em alcançar a cobertura universal de serviços até 2029, uma meta que requer R$ 70 bilhões em investimentos ao longo dos próximos cinco anos.

BESS

A gigante do saneamento está se preparando para testar a tecnologia de Sistemas de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS). “Vamos fazer alguns testes com BESS para avaliar como conseguimos ser mais eficientes com nossas usinas fotovoltaicas”, revelou a executiva durante o Energy ao Cubo, evento realizado na última quarta-feira, 12 de novembro, em São Paulo, e que contou com a parceria do Energy Solutions Show.

“Ainda estamos estruturando o projeto para então avaliarmos a viabilidade técnica e econômica. Ainda não está estruturado de maneira completa. Por hora estamos trabalhando uma concepção”, disse ao CanalEnergia.

A iniciativa concentra-se em dois objetivos estratégicos fundamentais que refletem as necessidades operacionais da companhia. O primeiro foco é a segurança energética, considerando o histórico de desafios no fornecimento de energia em São Paulo, onde sistemas de backup se tornam cruciais para garantir operações contínuas nos mais de 9.000 pontos de consumo de energia distribuídos pela rede da Sabesp.

O segundo objetivo visa a eficiência operacional, uma vez que a tecnologia BESS vai além da função de energia de reserva, oferecendo a possibilidade de otimizar as instalações de energia renovável já existentes na empresa e ainda fornecer serviços auxiliares à rede elétrica, criando assim uma solução integrada que combina segurança, eficiência e potencial de receita adicional.

Integração com estratégia energética diversificada

A implementação do BESS se insere em uma estratégia energética multifacetada que a Sabesp vem desenvolvendo. A Sabesp está entre os sete maiores compradores de energia do Brasil no mercado livre, com uma carga total superior a 330 megawatts médios. “Nosso objetivo é sempre buscar a eficiência. Através dessa abordagem, podemos tornar as tarifas de água e esgoto mais atrativas para a população”, afirmou Abreu.

A estratégia energética da Sabesp adota uma abordagem multifacetada que combina diferentes tecnologias e modalidades de contratação para maximizar a eficiência e reduzir custos operacionais. A empresa investe em geração distribuída através de energia solar fotovoltaica, implementa projetos de autoprodução utilizando fontes renováveis, participa ativamente do mercado livre de energia para garantir preços mais competitivos, e promove a diversificação através de várias fontes energéticas.

Segundo Abreu, essa estratégia integrada permite à companhia não apenas otimizar seus gastos com energia elétrica, mas também contribuir para suas metas de sustentabilidade e garantir maior segurança no suprimento energético para suas operações críticas de saneamento que atendem milhões de pessoas. “Diversificação é importante e através dela conseguimos um resultado robusto”, afirmou.

Sustentabilidade e resiliência hídrica

Abreu conectou a estratégia energética aos objetivos mais amplos de sustentabilidade, observando que São Paulo enfrenta desafios de escassez hídrica apesar de sua grande população. “São Paulo não tem alta disponibilidade hídrica, e temos baixa disponibilidade hídrica aqui na cidade”, explicou.

A empresa se comprometeu com uma redução de 43% nas emissões de Escopo 2, demonstrando como o gerenciamento de energia apoia diretamente os objetivos ambientais. Este compromisso requer planejamento energético, particularmente dado o caráter essencial dos serviços de água e saneamento.

Evolução

A jornada de gestão energética da Sabesp começou em 2004 com a entrada no mercado livre de energia. “Começamos no início mesmo, quando o mercado livre começou a tomar corpo e evoluímos até onde temos todas as aplicações disponíveis hoje”, observou Abreu.

A abordagem da empresa enfatiza que alcançar resultados consistentes requer tempo e diversificação ao invés de soluções rápidas. Com mais de 9.000 pontos de consumo espalhados por seu território de atendimento, a Sabesp requer planejamento de contingência sofisticado que vai além dos geradores a diesel tradicionais.

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