Imagine poder escolher de quem você compra energia elétrica, negociar o preço, o tipo de fonte, como solar ou eólica, o prazo do contrato e até prever quanto vai pagar nos próximos anos. Isso é possível no mercado livre de energia, um ambiente que está transformando a forma como empresas e, em breve, também as residências se relacionam com a eletricidade no Brasil.

Diferente do mercado regulado, onde o consumidor é obrigado a comprar energia da distribuidora local, no mercado livre o consumidor pode escolher seu fornecedor. Essa liberdade traz mais competitividade, o que significa melhores preços, contratos personalizados e possibilidade de comprar energia 100% renovável.

Atualmente, segundo dados disponíveis, apurados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e sujeitos a consolidação, há mais de 73.300 unidades consumidoras no mercado livre de energia. Com isso, cada vez mais empresas estão migrando para esse mercado e não estamos falando apenas de grandes indústrias. Academias, hospitais, escolas, supermercados e até instituições culturais já perceberam o potencial de economia e previsibilidade que esse ambiente oferece.

Segundo a Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), o potencial de crescimento do mercado livre de energia atualmente está relacionado ao tamanho do Grupo A, que reúne consumidores de energia em média e alta tensão e tem mais de 202 mil consumidores. Pela legislação atual, estão aptos a escolher o fornecedor todos os consumidores do Grupo A.

Vale lembrar que atualmente, podem migrar para o mercado livre todos os consumidores do Grupo A, ou seja, empresas, comércios e indústrias conectados em média ou alta tensão. A partir de 2026, está prevista a abertura total também para residências e pequenos negócios (Grupo B), ampliando o acesso para mais de 92 milhões de consumidores.

A Associação relatou ao CanalEnergia que acredita que a perspectiva de crescimento se mantém conforme os consumidores de energia que já estão aptos a migrar do mercado regulado para o mercado livre de energia comecem a conhecer os benefícios e o funcionamento de escolher o fornecedor, como escolher prazo do fornecimento, fonte energética, flexibilidades diversas.

Como funciona o processo?

Na prática, o processo de migração para o mercado livre de energia começa com uma análise de viabilidade, que avalia o perfil de consumo da empresa e as condições técnicas da instalação elétrica. Com essas informações em mãos, o consumidor pode escolher um fornecedor, normalmente uma comercializadora de energia. Para empresas de menor porte, o caminho mais indicado é buscar um comercializador varejista, que oferece pacotes simplificados e cuida de todas as etapas do processo.

Em seguida, ocorre a negociação do contrato, no qual são definidos o preço da energia, o volume contratado, a duração do fornecimento, a origem da energia (convencional ou renovável) e outros detalhes personalizados. A comercializadora também cuida da parte técnica e burocrática da migração junto à CCEE. Com tudo aprovado, a empresa passa a consumir energia no mercado livre, ganhando previsibilidade, liberdade de escolha e a possibilidade real de reduzir seus custos com energia elétrica.

Benefícios

Migrar para o mercado livre de energia traz benefícios concretos para empresas de diferentes setores e tamanhos. Um dos principais atrativos é a economia na fatura de energia, que pode variar de 10% a 35%, dependendo do perfil de consumo e das condições negociadas. Além disso, segundo a Abraceel, o ACL permite a livre negociação entre consumidores e fornecedores e o fornecimento de produtos e serviços mais aderentes à necessidade de cada perfil de consumidor. Dessa forma, o mercado livre de energia oferece ao consumidor a oportunidade de adquirir energia elétrica a preços mais vantajosos, prazos distintos, flexibilidades ao longo do período de consumo, como flexibilidades para interrupções temporárias ou acréscimos nas quantidades comercializadas, e com possibilidade de comprar energia de fontes renováveis, entre outros produtos e inovações.

Exemplos práticos:

A Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS), conseguiu reduzir custos operacionais ao contratar energia incentivada de fonte renovável, reforçando seu compromisso ambiental.

Redes de academias como a Selfit passaram a ter mais controle sobre suas despesas com energia, melhorando sua gestão financeira mensal.

Hospitais e clínicas, que têm consumo constante e elevado, se beneficiam da previsibilidade de custos e podem contratar energia de fontes limpas, alinhando-se às práticas de ESG.

Outro diferencial importante é a liberdade de escolha: no mercado livre, o consumidor decide quem será seu fornecedor, de onde virá a energia e quais condições contratuais melhor se adaptam à sua operação. Também é possível optar por energia 100% renovável, com certificações como o I-REC, que comprovam a origem limpa da eletricidade consumida, um avanço significativo para empresas que buscam fortalecer sua estratégia de sustentabilidade e ESG.

Para o presidente do conselho de administração da CCEE, Alexandre Ramos, a liberdade de escolha é a maior vantagem do mercado livre. “No segmento, é possível comprar energia sob demanda, escolher comprar eletricidade somente de fontes renováveis, negociar prazos e modelos de contratos, além, é claro, de buscar um fornecimento mais barato”.

Segundo ele, essas possibilidades garantem um atendimento personalizado, previsibilidade financeira e, possivelmente, menores custos para o consumidor. “Quando olhamos para os desafios, vale destacar que toda livre negociação tem seus riscos, por isso é muito importante que o consumidor esteja orientado por um time especialista na gestão de contratos”, disse ao CanalEnergia.

Já para a Abraceel, o consumidor passa a ter previsibilidade quanto ao que vai pagar nos anos seguintes, estabelecendo uma forma de reajuste, o que é relevante para indústrias e empresas que precisam orçar esses custos constantemente. A flexibilidade é outra característica importante, pois o consumidor pode negociar livremente todas as condições de fornecimento, escolhendo o que melhor se adapta a ele.

E os riscos?

Como em qualquer contratação, é importante estar atento aos detalhes do contrato, como volume contratado, condições de reajuste e suporte da comercializadora. Mas, com apoio técnico e orientação adequada, os riscos são baixos.

Confira algumas empresas que já migraram para esse mercado:

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Shoppings do Grupo Tacla economizam até 30% com migração para o mercado livre