A volatilidade de preços no mercado livre de energia tem levado consumidores a adotar novas estratégias de gestão e pressionar contratos. Embora fontes renováveis como solar e eólica tenham reduzido os custos de geração, elas também aumentaram a intermitência. E assim, a oscilação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Esses fatores têm impactado diretamente a estrutura dos contratos e a previsibilidade no fornecimento de energia.
A sócia da CELA, Marília Rabassa, destacou que a entrega de energia em perfil flat tem se tornado mais complexa e onerosa. “A solar e a eólica são hoje as fontes mais baratas, mas a gente não controla”, afirmou. E sua participação no Energy Solutions Show, realizado na quinta-feira, 23 de abril, em São Paulo, disse que há dificuldade de modulação para garantir previsibilidade ao consumidor. Afinal, a volatilidade de preços elevam os custos operacionais.
Já o diretor-presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE), Alexei Vivan, reforçou que a volatilidade dos preços horários está pressionando contratos. Além disso, outra consequência é estimular as renegociações. “Uma coisa é o contrato, outra é o físico. Isso gera exposição para o gerador e pode virar problema para o consumidor”, explicou. Nesse sentido, ele destacou que o descolamento entre contratos financeiros e entrega física da energia aumenta os riscos para todas as partes envolvidas.
Baterias como solução para mitigar riscos
Nesse contexto, os sistemas de armazenamento por baterias (BESS) surgem como uma alternativa estratégica para mitigar a exposição à volatilidade. A tecnologia permite armazenar energia em períodos de menor custo e utilizá-la nos momentos de maior demanda, ajustando o perfil de consumo, reduzindo custos e aumentando a confiabilidade do fornecimento.
Por fim, Francisco Burmann, da WEG, destacou que o uso de baterias está avançando também no lado do consumo, especialmente em aplicações atrás do medidor em indústrias e comércios. Segundo ele, projetos baseados em energy shifting já apresentam retorno financeiro entre dois e três anos em regiões com maior variação tarifária ao longo do dia.
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