A Sabó Indústria e Comércio de Autopeças, empresa brasileira com mais de 80 anos de história, tem colhido resultados com sua estratégia de eficiência energética e participação no mercado livre de energia. Segundo o coordenador de manutenção, Kleiton Streuli, a companhia conseguiu reduzir em 32% seus custos energéticos entre janeiro e agosto deste ano, em comparação com o que pagaria no mercado cativo.

“A Sabó tem uma história muito bacana com relação à eficiência e sustentabilidade. A empresa já há muito tempo vem engajada nisso. E dentro daquilo que nós temos de direcionamentos estratégicos, a sustentabilidade sempre vem como uma base de todos os projetos aqui”, explicou Streuli durante um webinar realizado pelo Energy Solutions Show na última quarta-feira, 24 de setembro.

Jornada no mercado livre

A jornada da Sabó no mercado livre começou em 2005, quando a empresa decidiu estrategicamente buscar essa alternativa. Para isso, foi necessário um grande projeto na planta para que pudesse entrar na categoria A4 A2 (88 à 138KV). “Demorou dois anos esse projeto, a instalação de uma subestação em 88 mil kilowatts, no meio de São Paulo”, relembrou o executivo.

Com isso, a empresa reduziu sua demanda contratada de 6 mil kilowatts em 2007 para aproximadamente 2 mil kilowatts em 2025, uma redução de dois terços. “Tudo isso é uma redução de infraestrutura dentro de um plano estratégico de eficiência produtiva, mas que, de verdade, nós hoje produzimos muito mais”, destacou Streuli, mencionando que a empresa tem um faturamento de R$ 1 bilhão em 2025.

Entretanto, além da redução na demanda contratada, a Sabó conseguiu diminuir em 73% a energia empregada por peça produzida desde 2016. “Nós tínhamos lá 0,6 kilowatt hora por peça em 2016, e hoje estamos abaixo de 0,2 kilowatt hora por peça produzida”, explicou o coordenador.

Estratégia energética

Contudo, outro aspecto importante da estratégia energética da Sabó é o tipo de energia contratada. “A Sabó contrata energia 100% renovável. Então, além de ocorrer a redução da energia empregada por peça, a energia aqui é 100% renovável”, explicou Streuli. Ele ainda mencionou que isso é garantido por autodeclarações das comercializadoras ou pelo certificado I-REC.

Para alcançar esses resultados, a empresa implementou diversas iniciativas de eficiência energética. Entre os cases apresentados por Streuli está um sistema de controle de ar comprimido que alimenta toda a planta, com mais de 700 ativos em operação. “Com a implementação desse sistema, nós reduzimos 10% da energia empregada na geração de ar comprimido”, afirmou.

Água

Outro exemplo citado por ele é o sistema de água industrial com torre de resfriamento, utilizado no processo de vulcanização. “Só nesse designer novo, comparado com o antigo, nós reduzimos 39% o consumo de energia. Só que nesse processo nós dobramos a capacidade sem aumentar um quilowatt de consumo”, destacou o executivo.

Além disso, a empresa também investe em uso racional de energia, mesmo em equipamentos mais antigos que ainda não estão no roadmap de atualização. Streuli mencionou iniciativas como identificação de vazamentos de ar comprimido e verificação de perda térmica em estufas utilizadas no processo de vulcanização, usando câmeras térmicas para identificar perdas em vedações.

“Vale a pena consultar as comercializadoras para ver se está bem adequado o seu perfil de consumo, seja lá na demanda, na energia ou nos seus contratos”, recomendou Streuli. “Outras empresas no mercado também fazem essa assessoria, o que garante você ficar monitorando, no mês a mês, como está a sua performance”.

Por fim, o executivo concluiu afirmando que, mesmo em momentos de exposição ao PLD, a experiência mostra que você vai pagar muito menos, você vai empregar menos dinheiro estando no mercado livre.

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