O movimento de migração para o mercado livre de energia segue acelerado em 2025, consolidando-se como uma realidade em todas as regiões do Brasil. De acordo com levantamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), mais de 13,8 mil unidades consumidoras já aderiram ao ambiente de contratação livre no acumulado até junho deste ano, um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2024.
Entre os estados, São Paulo segue na liderança com 4.129 novas migrações, destacando-se como o maior volume do país no semestre. O avanço expressivo evidencia o amadurecimento do mercado e o crescente interesse dos consumidores por alternativas mais competitivas e flexíveis de contratação de energia.
Já o estado do Paraná foi o que se destacou na comparação ao mesmo período do ano anterior, com um aumento de 135% no número de novos entrantes. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina também aparecem entre os principais estados em número absoluto de adesões.
Para a gerente executiva de cadastros e contratos da CCEE, Adriana Sambiase, as migrações no estado de São Paulo representam 30% do total nacional. “O principal diferencial paulista reside na concentração excepcional de grandes consumidores energéticos. O Estado tem uma rede de consumidores muito grandes – indústria, grandes shoppings, supermercados – então isso gera escala e atratividade muito maior”, disse Adriana ao CanalEnergia.
Setor de serviços
Segundo ela, essa concentração cria um ecossistema único onde empresas de serviços que utilizam intensivamente energia para seus negócios encontram no mercado livre uma solução estratégica para reduzir custos operacionais. O resultado: 1.170 migrações apenas no setor de serviços no primeiro semestre, crescimento superior a 26%.
Contudo, o setor de comércio também demonstrou participação significativa com 700 migrações registradas. “A partir de janeiro de 2024, o que se viu em São Paulo realmente foi esse setor de serviços e comércio crescendo e alavancando muito”, explicou Adriana. Ela também destacou que grandes shoppings, supermercados e empresas de serviços que utilizam intensivamente energia para seus negócios estão impulsionando essa demanda.
Enquanto São Paulo se destaca pelo crescimento nos setores de serviços e comércio, outros estados da região Sudeste como Minas Gerais e Rio de Janeiro concentraram suas expansões em indústrias de base e atividades extrativistas. Já na região Sul, o crescimento foi puxado por indústrias manufatureiras e alimentícias.
Infraestrutura robusta
Segundo Adriana, São Paulo possui uma das maiores capacidades instaladas do país, combinando usinas hidrelétricas, térmicas e uma expansão significativa em energia solar fotovoltaica. Essa diversificação da matriz energética local oferece segurança de suprimento e opções variadas para consumidores do mercado livre.
Ademais, a rede de transmissão e distribuição paulista é ampla e moderna, garantindo flexibilidade no suprimento. “As concessionárias de São Paulo vêm realizando investimentos significativos em modernização, automação e medição inteligente”, destacou Adriana.
Além disso, o estado concentra o maior número de comercializadoras, geradoras, traders e consultorias especializadas em energia do país. De acordo com a executiva, essa concentração cria um ambiente competitivo que beneficia consumidores com mais opções, melhores preços e serviços especializados.
Capacidade de inovação
São Paulo também se destaca pela busca constante de soluções tecnológicas e fontes renováveis. Empresas paulistas lideram a demanda por certificados de energia renovável, impulsionadas por estratégias de sustentabilidade corporativa cada vez mais rigorosas.
“A capacidade de inovação, busca de soluções tecnológicas e fontes renováveis trazem esse consumidor buscando compra de fontes renováveis para fins estatísticos e de sustentabilidade”, explicou Adriana.
Diferencial
Enquanto outros estados da região Sudeste concentram expansões em indústrias de base e atividades extrativistas, São Paulo se diferencia pelo crescimento robusto nos setores de serviços e comércio. Essa diversificação setorial torna o mercado paulista mais resiliente e dinâmico. Segundo Adriana, São Paulo vai continuar nessa liderança. A expectativa é que essa posição se mantenha mesmo com a abertura para consumidores de baixa tensão em 2026.
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