A Dow Brasil atingiu 100% de consumo de energia renovável em suas operações no Brasil, tornando-se a primeira região global da empresa a alcançar essa meta. A companhia aqui no país consome aproximadamente 265 megawatts médios de energia através de três unidades eletrointensivas estrategicamente localizadas em Minas Gerais, Pará e Bahia.
Segundo o gerente de energia e clima da Dow, Vinícius Sambuc, a empresa utiliza diversos tipos de contratos para garantir o fornecimento renovável, incluindo acordos de autoprodução. “Temos diversos tipos de contrato, inclusive contratos de autoprodução. Das três unidades, já está em operação e tem parques que vão entrar no próximo ano, que ainda estão em construção“, explicou o executivo durante o Energy ao Cubo, evento realizado no dia 12 de novembro, em São Paulo e que contou com a parceria do Energy Solutions Show.
A conquista brasileira representa 50% de toda energia elétrica renovável que a Dow compra globalmente, destacando a importância estratégica do país na matriz energética da empresa.
Vantagens
Sambuc enfatizou que o Brasil foi escolhido como pioneiro devido às características favoráveis de sua matriz energética. “Pelo fato da matriz do Brasil ser favorável, é a primeira região a atingir 100% de energia elétrica renovável nas suas unidades”, destacou.
Essa vantagem competitiva permite à Dow Brasil servir como modelo para outras regiões da empresa, demonstrando a viabilidade técnica e econômica da transição para fontes renováveis em operações industriais de alta intensidade energética.
Energia térmica e biomassa
Além da eletricidade, a Dow está diversificando suas fontes de energia. Na unidade da Bahia, 50% das necessidades de vapor são supridas por biomassa de eucalipto, enquanto os 50% restantes utilizam gás natural.
Apesar dos avanços, Sambucus identificou obstáculos econômicos para acelerar a adoção de tecnologias renováveis. A empresa analisa rotas de biometano e eletrificação de processos, mas segundo ele a conta ainda não está fechando.
O executivo apontou que a autoprodução é um fator crucial para viabilizar economicamente essas tecnologias, embora mudanças regulamentares recentes tenham criado desafios adicionais para novos contratos de autoprodução.
Necessidade de incentivos
Sambucus criticou a estrutura atual de subsídios energéticos no Brasil. “Hoje o Brasil dá subsídio na geração, mas não tem incentivo nenhum em cima do consumo. Que incentivo eu tenho de comprar biometano e colocar biometano no meu processo?”.
O executivo argumentou que incentivos direcionados ao consumo de energia renovável seriam mais eficazes para acelerar a transição industrial. “Se eu tiver o sinal de preço que seja um subsídio correto ou algum incentivo que venha do governo, talvez essa conta comece a fechar”, explicou.
Comparação internacional
A estratégia energética da Dow varia conforme as vantagens regionais. Nos Estados Unidos, a empresa desenvolve tecnologia de pequenos reatores nucleares em parceria com o Departamento de Energia. Na Europa, utiliza acordos de compra de energia (PPAs) renovável. “Cada região tem sua estratégia, suas fortalezas e a gente utiliza delas”, explicou Sambuc.

