ONS pede que primeiro bipolo de Belo Monte seja antecipado

Estudos energéticos apontam necessidade de aumentar os limites de intercâmbio para região Sudeste no período chuvoso de 2018

O Operador Nacional do Sistema Elétrico pediu que fosse verificada a possibilidade de antecipar em até três meses a operação comercial do sistema de transmissão em 800 kV Xingu-Estreito C1. Trata-se do primeiro bipolo em corrente contínua que escoará parte da energia produzida pela hidrelétrica Belo Monte (11.233 MW), em construção no Pará.
 
A previsão oficial do consórcio Belo Monte Transmissora de Energia (BMTE) – formado pelas empresas State Grid, Eletronorte e Furnas – é que a linha estará pronta ao final de janeiro de 2018. Por contrato, o sistema precisa estar funcionando até 12 de fevereiro daquele ano. Porém, de acordo com o ONS, os estudos energéticos apontam para a necessidade de antecipar esse prazo, "de modo à LT estar apta a escoar a energia produzida pela UHE Belo Monte no período chuvoso de 2018, aumentando os limites de intercâmbio para a região SE/CO." O período úmido é caracterizado entre dezembro e abril.
 
Atento a situação, o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, pediu que fosse apresentado um estudo sobre os limites de intercâmbio associados ao escoamento da energia de Belo Monte, conforme consta na ata da 161ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, de 4 de novembro de 2015.
 
Nesta semana, o Ibama emitiu a licença de instalação do bipolo. A emissão da LI era esperada para 18 de dezembro de 2015. Segundo o órgão ambiental, "o processo de licenciamento ambiental levou 108 dias, incluindo as complementações de informações apresentadas pelo empreendedor. Inferior, portanto, ao prazo legal de 120 dias estabelecido pela portaria 421/2011". A licença prévia foi concedida em 20 de maio do ano passado, apenas dois dias após a data prevista, segundo relatório de fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica.
 
A aquisição de materiais para a obra foi iniciada em 16 de dezembro de 2014. A BMTE informou ao ministério que já investiu cerca de R$ 1,2 bilhão no projeto em 2015. Em relação ao empréstimo de longo prazo para financiamento da obra, o consórcio aguarda a aprovação de recebíveis como garantia por parte do BNDES. Estima-se que o projeto custe algo entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões.
 
O projeto é composto por duas Estações Conversoras, partindo de Xingu, no Pará, até Estreito, em Minas Gerais. Estas obras foram iniciadas em 3 de novembro de 2015. O empreendimento terá mais de 2 mil quilômetros e vai escoar mais de 4 mil MW da hidrelétrica. A BMTE alertou ainda para a necessidade de remanejar a linha de transmissão em 230 kV Tucuruí-Altamira, de propriedade da Eletronorte, "em virtude dessa LT cruzar o futuro traçado do 1º Bipolo". A chinesa State Gride também é responsável pela construção do segundo bipolo, cujo leilão ocorreu no ano passado.